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O segredo do Networking

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O networking transformou-se num mantra que acompanha qualquer empreendedora, ou aspirante a empreendedora, que se preze. É algo que sabemos que devemos fazer, um ingrediente fundamental para o sucesso dos nossos projetos. Mas em que consiste exatamente? Eventos onde se conhecem pessoas bem relacionadas; redes de contatos; cimeiras; palestras; workshops; apresentações de negócios. Tudo isto; mas apenas isto ou algo mais?

Investir em Capital Social

Podemos ir um pouco mais longe se introduzirmos aqui o conceito de capital social.  O capital social pode ser entendido enquanto aspectos da organização social que facilitam a coordenação e a cooperação entre os cidadãos em benefício mútuo, tais como as redes sociais de actividade cívica, as normas sociais e a confiança. A conotação positiva associada ao conceito leva a salientar os seus efeitos benéficos: alimenta normas de reciprocidade generalizada e encoraja a emergência da confiança social; facilita a coordenação, a comunicação e a resolução de entropias à acção colectiva; reduz os incentivos ao oportunismo; permite a interiorização de experiências positivas de colaboração que servem como modelo à acção futura; e potencia o gosto dos participantes pelos benefícios colectivos.

No contexto da democracia liberal, o enfraquecimento dos laços familiares e de proximidade leva à erosão contínua do envolvimento cívico. A formação e activação do capital social exige a exploração criativa do modo como os governos, mediante as suas políticas públicas, e os cidadãos, mediante a sua própria iniciativa, podem influenciar a constituição de organizações e redes sociais. É igualmente imperativo determinar que tipos de organizações melhor incorporam o capital social ao fomentarem a reciprocidade, a resolução de questões relacionadas com a acção colectiva e o alargamento das identidades sociais. Está em causa não apenas a densidade da vida associativa, mas igualmente a estrutura das redes que a compõem, sendo os relacionamentos de tipo horizontal os mais produtivos e adequados ao desenvolvimento do capital social.

As diferenças entre padrões organizativos de tipo horizontal ou vertical determinam o desenvolvimento do indivíduo enquanto actor político, que no primeiro caso é cidadão e no segundo caso é sujeito. Dada a sua natureza cumulativa, originam círculos virtuosos, caracterizados por um equilíbrio social onde imperam a cooperação, a reciprocidade e a confiança, e círculos viciosos, marcados pela desobediência às normas cívicas e pela desconfiança.

A mera existência de uma rede consistente de associações comunitárias baseadas em relações horizontais constitui um indicador de um capital social saudável, dado que as regiões que carecem de espírito cívico apresentam um nível de envolvimento associativo horizontal incipiente. Por exemplo, os países do Sul da Europa, entre eles Portugal, são geralmente associados a níveis reduzidos de participação cívica e a elevados níveis de desconfiança social. Estas sociedades são, em alguma medida, afetadas por um fenómeno de «familismo amoral», o qual resulta da manifestação consolidada ao longo de gerações de estratégias de sobrevivência de famílias destituídas de recursos económicos, simbólicos e culturais, que encontram nas relações verticais de intermediação a sua tábua de salvação.

Viver o Networking

Se situarmos a questão neste contexto, percebemos que o networking não pode ser entendido enquanto um evento ao qual se vai de vez em quando. É uma forma de estar em sociedade, de incorporar a comunidade na nossa forma de ser. Acima de tudo, não é a busca por patronos, por eventos exclusivos nem por redes de elite, onde imperam as relações verticais de favorecimento e o patrocinato. É o envolvimento em redes abertas de iguais que são diferentes: iguais no seu estatuto e poder; diferentes nas suas ocupações e competências. Em vez de nos fecharmos sobre nós próprios e sobre o nosso pequeno círculo de proximidade, abrimos os horizontes e abarcamos todo um mundo de oportunidades.

Camila Rodrigues

Mulheres à Obra


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