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Português correto

oralidade e escrita

“Há 25 anos atrás, o laço rosa não existia. É tempo de acabar com o cancro da mama”

Quando vi este anúncio numa revista feminina, nem queria acreditar. Como foi possível uma Marca tão conceituada ter permitido um erro gramatical como este num anúncio publicitário? Consegue identificá-lo?

Trata-se de um erro que, infelizmente, já contaminou a nossa linguagem pública e publicada e que é cometido pelos mais diversos profissionais, desde jornalistas a políticos, médicos, cientistas, apresentadores de rádio e de televisão, escritores e, inclusive, professores dos vários graus de ensino.

Já o identificou? O erro consiste na utilização da palavra «atrás» na expressão «Há 25 anos». É um erro que resulta da influência na língua inglesa no Português: «25 years ago».

Em Português correcto, devemos dizer/escrever «Há 25 anos». Escrevi à Marca criticando a violação desta regra gramatical. A empresa admitiu o erro embora tenha argumentado que o objectivo foi reforçar a longevidade da campanha contra o cancro da mama.

O uso correto do português

Independentemente da nossa área de negócio, a forma como nos expressamos na oralidade e na escrita deve também ser uma preocupação constante. E esta forma nada tem que ver (e não «tem a ver», como também erradamente se diz/escreve) com a adopção ou não do Acordo Ortográfico de 1990, mas com o uso correcto do Português.

Se escrevermos um e-mail, um relatório, uma apresentação em PowerPoint ou publicarmos textos no nosso website ou blogue com erros ortográficos e/ou gramaticais estaremos a passar uma imagem pouco profissional neste aspecto.

Recentemente, recebi um e-mail de uma empresa à qual tinha pedido um orçamento. O responsável termina a mensagem desejando que o orçamento «vá de encontro» às minhas expectativas. Este é outro erro muito comum. O que ele espera é que o orçamento «vá ao encontro» das minhas expectativas. «Ir de encontro a» refere-se à colisão de dois corpos físicos (por exemplo, o carro foi de encontro ao muro); «Ir ao encontro de» é no plano das ideias.

Certamente, já reparou que as palavras estrangeiras que tenho vindo a utilizar – website, PowerPoint – estão em itálico. Esta é uma regra também pouco seguida. O ideal será utilizarmos as palavras portuguesas sempre que estas já estejam dicionarizadas (ex.: musse e não mousse, blogue e não blog). Caso contrário, a palavra tem que ser italicizada.

Sugestões

Não sei se foi por ter começado a ler com cinco anos de idade ou se por defeito profissional, sempre me preocupei muito em usar correctamente a língua portuguesa. Não significa isto que nunca tenha cometido erros, quer na escrita quer na oralidade. Cometi muitos e continuo a cometê-los. Esta consciência faz com que me esforce por corrigi-los.

Uma das primeiras decisões que tomei quando fiquei desempregada foi a de frequentar um curso de revisão de texto. Aprendi muito e melhorei a forma como me expresso. Tenho também em casa diversos dicionários, prontuários, gramáticas e outros livros aos quais recorro com frequência para esclarecer dúvidas. Além destes, há vários websites que também consulto com regularidade.

Aqui ficam algumas sugestões:

– Ciberdúvidas da Língua Portuguesa;
– Dicionário Aberto;
– Dicionário Priberam da Língua Portuguesa;
– Infopédia;
– Manuel Monteiro, Dicionário de Erros Frequentes da Língua, Soregra.
– Portal da Língua Portuguesa;
– Vocabulário – Regime Preposicional de Verbos, Didáctica Editora.

Fátima Mariano
Jornalista desde 1997, trabalhou no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias. Foi colaboradora das revistas Agrotec – Revista Técnico-Científica Agrícola e +Vida e presidente da direcção do CLUPAC – Clube Português de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar. É sócia da Chão dos Bichos – Associação.


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