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O que é para mim a Meditação

Meditação em contexto prisional

 

Apresentação do projeto

O Breaking Bars – TO BE, tal como o nome indica, foi um projeto que decorreu em 2014 e visou trabalhar o indivíduo em ambiente de reclusão, através da prática regular de Meditação, uma técnica de desenvolvimento pessoal que proporciona, entre outros benefícios, a calma interior, o autoconhecimento, a redução da ansiedade, a empatia e a melhoria das relações interpessoais.

Abrangeu 12 reclusos do Estabelecimento Prisional da Carregueira, entre os 25 e os 65 anos, em cumprimento de pena efetiva de prisão e com cadastro disciplinar relacionado com agressões.

Teve por objetivos:

  • Promover a capacitação do recluso pelo desenvolvimento de competências pessoais e sociais, com especial enfoque na redução dos índices de agressividade;
  • Promover e facilitar o desenvolvimento pessoal do recluso, fomentando a sua auto estima, auto compaixão, redução da ansiedade, empatia e a melhoria das relações interpessoais, em ambiente de reclusão.

Uma experiência em contexto prisional

14H40, 3ª feira, dia chuvoso e frio. Acabei de chegar e estou à porta do E.P. da Carregueira. Após 5 sessões, ainda fico um pouco nervosa, a adrenalina ainda dispara e o coração cada vez mais cheio de Missão. Um estalido metálico ouve-se e a porta abre-se, seguindo-se o ritual da minha identificação e a entrega de um cartão de Visitante.

Passagem pelo detector de metais e revista rápida aos meus instrumentos de trabalho (e sinto que à minha alma também) – uma aparelhagem de som, uma pen com músicas, um relógio, canetas e um molho de folhas de papel. Saio e atravesso um enorme pátio de uma enorme prisão. Volto a entrar num edifício no extremo oposto e repete-se o ritual do detector de metais.

Começo a descer e passo por duas portas pesadas, de metal amarelo canário, geladas, e que inevitavelmente provocam um arrepio. Por fim chego à sala de aula, uma antiga cela, com uma porta enorme com 2 cadeados e 2 ferrolhos. As chaves….som traumático para estes seres humanos, pois todas as noites selam e simbolizam o seu encarceramento.

Hoje desafio-os a descreverem o que para eles é Meditação, por palavras e por imagens (anexo), desafio a que prontamente acederam. É muito difícil para mim descrever o que senti ao ler o que escreveram e o que desenharam, se pensarmos no dia a dia e no contexto adverso, por vezes até hostil, a que estão confinados. Uma abertura de sentimentos, uma vontade de mudar, de evoluir.

E há algo que se torna obrigatório dizer – a certeza de que todos somos seres humanos, enriquecidos por inúmeras facetas que se traduzem em algo de incontestável – a nossa unicidade, o sermos únicos neste mundo. E que todos nós, apesar de podermos cair, por uma decisão errada no momento errado, que nos custou a liberdade, somos seres com um potencial imenso por descobrir, com uma sensibilidade e talento, que merecem toda a atenção, mas mais do que isso, todo o empenho e apoio na reconstrução de uma nova vida.

Mas não quero escrever mais, pois não é de mim que se trata este post e sim dos testemunhos escritos e gráficos do N., do A., do B., do V. e do Sr. M., sobre o que é para eles a Meditação. Feliz e sensibilizada, “passo-lhes a palavra”.

Mafalda Mendes de Almeida
Bloom – Focus on the Good

 

 


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