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Motivação para a acção

Motivação

“Quem tem um porquê enfrenta um qualquer como”.

(Viktor Emil Frankl)

O que é a Motivação, no seu sentido geral?

A motivação, no seu sentido lato, é, nada mais, do que a força motriz que impele à acção, o combustível que gera movimento, as mãos que empurram suavemente, guiando, na direcção de um alvo. É o desejo de concretização de um objectivo, numa etapa ou várias, é uma meta, é procurar o sucesso numa tarefa.

“Motivação é ter um motivo para fazer determinada tarefa, agir com algum propósito ou razão. Ser feliz ou estar feliz no período de execução da tarefa, auxiliado por fatores externos, mas principalmente pelos internos”. (Verônica Klava)

Então porque é que, tantas vezes, nos vemos desprovidos dela? Quantas vezes já não nos sentimos tocados pela musa da vontade e, no entanto, abraçados pela inércia do momento, que se perpetua num contínuo que se arrasta e que nos arrasta com ele?

Na verdade, permanecem no Ser Humano vários factores que nos permitem ou forçam à estagnação:

  • A falta de um objectivo inteligível, perdendo-nos em sonhos e divagando, afastando-nos da real meta;
  • Tarefas demasiado complicadas quando olhadas no geral que nos devolvem a sensação que o exercício que temos pela frente é impossível de finalizar;
  • A sensação incapacitante de concretização de etapas.

O que fazer em momentos como este?

Existem várias teorias consoante a corrente de psicologia sobre a qual nos debruçamos, no entanto, todas parecem ligar a falta de motivação a problemáticas mais densas como questões comportamentais, auto-estima, depressão, ansiedade, etc.

Acabamos por conferir uma sobrevalorização à etapa, atribuindo-lhe um peso maior, como se a olhássemos através de um espelho de aumento, com a noção irreal de que não estamos aptos sem, sequer, nos permitirmos ter o benefício da dúvida, tentando.

Desmistificar a fantasia da incapacidade e segmentar a linha de desenvolvimento do caminho que estamos a traçar, percorrendo a escadaria degrau a degrau, parece ser uma forma simplificada de atingir o sucesso.

No entanto, mesmo assim, são necessárias algumas doses de auto-disciplina e de empenho, de foco e perseverança.
Vamos tentar simplificar:

Por forma a auxiliar a motivação vamos usar algumas premissas. Se conseguíssemos dividir o percurso em várias fases, poderíamos encontrar 4 que podemos considerar como sendo as principais:

1- Fase do alvo

Toda a motivação nasce de um desejo, portanto, um alvo que é visto como algo a obter. Aquela vontade interna, que de fora só se vê através do brilho dos olhos ou o sorriso, é como o nascer de uma nova estrela no Universo que é a nossa vontade. Estabelecer claramente qual o objectivo pretendido, passando-o para a escrita, ajuda-nos a torná-lo real e a visualizar as várias etapas pelas quais terá de passar até, finalmente, chegar ao resultado desejado. Imaginemos que aquilo a que se propõe é libertar espaço no seu roupeiro atafulhado: começar por perceber quais as peças de roupa que já não utiliza, por exemplo, há mais de um ano, e retirá-las para que, de seguida, o consiga arrumar de uma forma mais eficaz, é uma boa forma de ganhar espaço. Nasce, portanto, a primeira fase. Está identificado o seu alvo.

2- Fase do tempo

Numa altura em que todo o tipo de organização (mental, pessoal, física e espacial) é algo tão importante, conseguir encontrar, no dia-a-dia caótico e atarefado, tempo para se dedicar a algo a que se propõe, por vezes, parece uma tarefa inglória. Elaborar um plano de acção realista, meta a meta, é uma forma de se aperceber de qual a correcta sucessão de etapas para chegar a determinado destino. Planificar, calendarizar, esquematizar são pequenas ferramentas que estarão do seu lado e servirão de bengala no decorrer do processo. No caso do exemplo dado anteriormente, do roupeiro em que quer libertar espaço, poderá talvez começar por querer encontrar e juntar vários sacos de tamanho adequado para colocar as peças de roupa que já não usa, poderá querer mudar os cabides que tem por outros com vários níveis para que lhe seja possível ter mais peças na vertical. Outras ideias poderão ser encontrar a quem doar as peças de roupa indesejadas para que as mesmas não permaneçam um empecilho numa outra divisão da casa acabando por se tornar um segundo problema do qual se irá querer livrar mais cedo ou mais tarde. A ideia é simplificar, é o que vamos fazer. Esta é a fase do tempo.

3- Fase do pensamento

Após a planificação do processo é importante pensar no que pode ser feito, com a cadência temporal mais adequada, para que determinada meta seja atingida. Em vez de sobrecarregar a mente com vários panoramas, criando sensações indesejadas, sentimentos de frustração e acabando por se deixar ir atrás do turbilhão desmotivante, olhar a tarefa do início ao fim, com a ideia de que existem vários degraus para ser subidos (ou descidos), que cada passo é menos um passo na distância a percorrer até ao final, poderá deixar cair por terra o medo que nos assola de que não somos capazes ou de que a tarefa é demasiado grandiosa para alguém como nós. Continuando com o exemplo que começámos a usar anteriormente, podemos facilmente perceber que para que um roupeiro fique mais liberto e desafogado é melhor, em primeiro lugar, ver as peças de roupa que já não são do seu agrado, separá-las e só depois arrumar a restante roupa; do que, por exemplo, começar pelo fim pendurando toda a roupa peça a peça e, só depois, olhar para o produto final e ir retirando o que já não lhe interessa. Vemos aqui a fase do pensamento.

4- Fase da acção

Quando já tem um plano estruturado do que se pretende, resta-nos chegar ao campo da acção. Olhar para a planificação anteriormente feita, passo a passo e, simplesmente, começar. Poderá não existir um momento certo para o fazer. Por vezes, o simples iniciar da tarefa a que se propõe poderá surtir efeitos mais eficazes do que guardar tudo para um domingo que depois passa, por inteiro, a arrumar um roupeiro, quando desejaria estar a fazer qualquer outra coisa. No fundo, é arregaçar as mangas e não olhar para trás, é acreditar que com a planificação correcta, tudo é possível, se não nos atropelarmos em decisões e ponderações nem esperarmos por amanhã.

Finalmente, chegamos à fase da acção.

A motivação é o sonho à espera de ser concretizado, o não ter de esperar por dias bons para começar, é a acção que aguarda o primeiro passo, e o segundo, e o terceiro, assim sucessivamente até à conclusão. É um compromisso directo para com o prazer que se antecipa pela concretização, um check na lista de tarefas, a sensação de um trabalho finalmente terminado ou, até mesmo, uma passagem a uma, ou várias, novas acções que trazem consigo todo um imenso e maravilhoso mar de possibilidades no presente e no futuro.

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

(Carl Jung)

A motivação não é um fruto que cresce em ramos numa árvore, que se apanha quando já está maduro embora necessite, também, de ser semente, primeiro. Precisa de ser semeada, regada, cuidada e usufruir de toda essa preparação até ao momento em que, finalmente, a temos diante de nós, aguardando que olhem para ela, a usem e, sobretudo, a aproveitem.

“Motivação: o termo geral que descreve o comportamento regulado por necessidade e instinto com respeito a objetivos”.

(J. Deese)

Agora, vá, vamos pegar numa caneta e numa folha ou abrir um ficheiro de Word ou o notepad e começar por escrever, numa única e singela frase, qual é o objectivo que pretende ver atingido. O resto do caminho, com carinho pelo percurso, com dedicação e foco, concretiza-se.

“Um músico deve compor, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, caso pretendam deixar seu coração em paz. O que um homem pode ser, ele deve ser. A essa necessidade podemos dar o nome de auto-realização”.

(Abraham Harold Maslow, 1908 – 1970)

Referências Bibliográficas

Deese, J. (1964). Principles of psychology. Boston: Allyn& Bacon.

Frankl, E. Viktor (2010), O Homem em busca de um Sentido, Editora Lua de Papel.

Jung, C. G. (2006) Memórias, Sonhos e Reflexões. (Edição Comemorativa 40 Anos 40 Livros), Editora Nova Fronteira.

Klava, Verônica. (27 de Setembro de 2010), Motivação empresarial – o desafio do século XXI.

 

Sónia Sá
Facebook – Sónia Sá – Psicóloga Clínica
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E-mail: consultas@psicologiaemlisboa.pt


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