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No sofá com a Empreendedora Fátima Gouveia e Silva

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P. – Qual a tua atividade profissional?

Sou coach pessoal, formadora e facilitadora de Parentalidade Consciente. Trabalho com mulheres/mães que pretendem encontrar um maior equilíbrio nos seus vários papéis e entre as várias áreas da sua vida. Ajudo-as a explorar a sua identidade enquanto mulher e enquanto mãe encontrando a harmonia familiar, base e suporte ao seu desenvolvimento pessoal.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Na verdade, até criar a minha empresa nunca tinha pensado no assunto. Senti essa necessidade depois da minha filha nascer pois pretendia um maior controlo do meu tempo e uma maior disponibilidade para a família. Depois de começar é difícil voltar atrás. Posteriormente, e durante uns anos ainda, trabalhei como professora num colégio, mas o “bichinho” ficou cá, e quando iniciei esta minha viagem pelo Coaching e desenvolvimento pessoal sabia que tinha que avançar novamente para um projeto meu. Gosto de criar, de gerir o meu tempo, de ser independente e de fazer acontecer… por isso senti que estava na hora (novamente).

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

Depois da minha filha mais velha nascer queria mais tempo para a família, queria uma disponibilidade que a minha área de trabalho não proporcionava. Eu e o meu marido trabalhávamos na mesma área, com horários muito intensos e, sem uma estrutura familiar de suporte por perto, achei que algo tinha que mudar.

Com uma sócia abrimos uma empresa de formação em informática para crianças. Encerrei a empresa 10 anos depois, aí já sozinha, e dediquei-me a trabalhar a meio tempo num colégio. Foi um interregno na minha “odisseia” de empreendedora, mas a vontade ficou e quando achei que fazia novamente sentido, depois de uma fase de transição e preparação, voltei a trabalhar sozinha no meu projeto e naquilo em que acredito ser o meu propósito de vida.

Nunca é tarde demais, e mesmo depois dos 40 dei uma volta à minha vida, dediquei-me aquilo que é a minha paixão: O Coaching e a Parentalidade Consciente.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Como em tudo na vida, há vantagens e desvantagens. Uma das maiores dificuldades foi sem dúvida a dependência financeira a que fui obrigada no inicio dos projetos.

Tudo deve ser decidido em família, é preciso “fazer contas”, fazer um plano, e perceber se estamos preparados para períodos sem ordenado ou com remunerações baixas.

No meu caso, equacionando as vantagens e desvantagens, o sentimento de realização e satisfação de viver o meu propósito, de ajudar outras pessoas, de ter maior disponibilidade para a família compensava largamente o resto.

Outra dificuldade que encontrei foi a necessidade de trabalhar em várias frentes… fazer de tudo um pouco. Às vezes é complicado manter o foco, quando temos de nos preocupar, sozinhas, com os vários aspetos do negócio (ou pelo menos enquanto não há possibilidades de ter outras pessoas a colaborar connosco naquilo que não é o nosso “core business”). A minha vontade de aprender, crescer e evoluir, o meu próprio processo de desenvolvimento pessoal, permitiu-me procurar obter o mínimo de conhecimento nas várias áreas que achei necessárias até conseguir contratar alguns serviços. Através do Coaching também me dotei de ferramentas que me permitiram libertar-me de algumas crenças limitadoras e tomar consciência das várias possibilidades que existem por detrás de cada desafio.

Quando se ama o que se faz, as dificuldades são vistas apenas como desafios e o pensamento é “mãos à obra”. Quando amamos o que fazemos criamos uma disponibilidade mental que nos torna mais motivadas, produtivas e com melhores resultados.

P. –Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Uma sensação de liberdade… É fantástico poder gerir o meu tempo em função das minhas prioridades e daquilo que é mais importante para mim em determinada altura. O trabalho confunde-se com a vida pessoal, no sentido em que tudo o que faço faz parte de quem eu sou, é o que amo fazer.

 Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar

nem um dia na tua vida.”

Confúcio

 Defino o meu horário em função do que é necessário. Não trabalho menos que antes, pelo contrario, mas equilibro o meu tempo conforme preciso e estou mais presente para a família. Naturalmente que financeiramente não há a segurança que um emprego nos oferece. As coisas podem correr bem ou correr mal, mas acredito que quando decidimos a favor da nossa alma, da nossa essência, a vida vai fluir. Gosto de criar e dar asas à imaginação e assim sinto-me à vontade para o fazer.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Nunca desistam dos vossos sonhos, mas planeiem a vida com os pés assentes na terra. Quando se resolve empreender e avançar com um projeto pessoal, é necessário muito planeamento e preparação. É necessário ter as ideias bem claras do que se quer e dos objetivos a atingir e consequentemente prepararem-se convenientemente.

É necessária muita disciplina e uma gestão efetiva do tempo que muitas vezes se tende a misturar. O que aconselho é que façam sempre, ou quando isso for possível, um período de transição. Testem o negocio, recolham muita informação, falem com muitas pessoas. Adiram a redes de networking e a outros grupos de empreendedores onde possam partilhar e ouvir abordagens e estratégias que vos possam ser úteis.


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