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No sofá com a Empreendedora Florbela Barão da Silva – ViewPoint

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P. – Qual a tua atividade profissional?

Consultora de Comunicação. Tenho 20 anos de experiência no setor das Relações Públicas em agências de comunicação e tornei-me independente como uma agente ao serviço da comunicação e do storyteeling e storydoing para PME’s e Startups.

P.  Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Já tinha experiência profissional na gestão de projetos e equipas e a captar clientes para os quais prestava consultoria. Houve um sentimento de insatisfação e ausência de valorização que fizeram crescer uma vontade de mudança, que depois é necessário sustentar e colocar em ação. Procurei aconselhamento via processo de coaching, família, amigas e sobretudo, no meu instinto.

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

Saí da empresa onde estive vários anos e foi o momento certo de colocar em perspetiva a forma a dar à segunda metade da minha vida profissional. Participei numa sessão de apoio à criação do próprio emprego no CE onde ouvi falar do Programa de Apoio ao Empreendedorismo em Almada. Inscrevi-me com a minha ideia de negócio e fui selecionada para participar numa formação gratuita que reúne um novo mindset e novas abordagens desde a área jurídica, marketing digital, design thinking, financiamentos, etc. Mas o que fica sobretudo é o contágio pelo espírito empreendedor partilhado durante os módulos. Daí surgiu o conhecimento e oportunidade de ser residente numa das incubadoras do concelho de Almada, o Quarteirão das Artes.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Definir objetivos e ter um foco. Aquilo que eu tenho para oferecer é o meu tempo e conhecimento e o importante é conseguir valorizá-lo. Mas quando deixamos de ter horários fixos e não precisamos de nos deslocar de carro ou transportes para o trabalho, o tempo parece-nos ilimitado, mas é preciso gerir e manter a estrutura. Quando estamos programados muito tempo para as rotinas é complicado reprogramarmo-nos.

Outra dificuldade que encontrei é algum preconceito cultural ou com profissionais independentes face a agências ou estruturas empresariais de prestação de serviços de comunicação. Acredito que estamos a assistir a um novo paradigma laboral que implica um novo modelo de flexibilidade e de smart work. Trabalhar em rede é também muito importante e implica respeito pelos nossos pares numa relação que não é de cliente-fornecedor.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

A gestão do tempo é diferente, é da nossa inteira responsabilidade. As frustrações e as conquistas e reconhecimentos são vividas de forma mais solitária e intensa. Poder trabalhar com quem gostamos e admiramos é uma enorme vantagem e poder ter mais opção de escolha.

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é maior porque não se dissociam um do outro, se estou feliz com o que faço e como faço estou mais feliz em casa junto da família e vice-versa.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Não desvalorizar o networking. Sempre investi muito no networking e é muito mais do que “colecionar” contatos, é criar envolvimento, dar feedback, estar disponível e ajudar quando for possível. Depois o apoio mútuo entre pessoas e sobretudo entre mulheres é fundamental. Procurar grupos formais ou informais de empoderamento pode ajudar e apostar no desenvolvimento pessoal e formação. Não podemos pensar que é fazendo o mesmo todos os dias que evoluímos. É como exercitar o corpo, temos que dar estímulos diferentes. E sermos generosos connosco e com o tempo que necessitamos para a mudança, para sermos os nossos agentes da mudança. Deixar de questionar o que os outros podem fazer por nós para passar a questionar o que eu posso fazer por mim e pelos outros.


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