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Será que somos sacanas umas para as outras?

mulher

Estou perto dos 50 anos e na época em que nasci estava muito bem definido quais eram os comportamentos esperados de uma menina e os comportamentos esperados de um menino. Umas coisas não podiam ser feitas por raparigas porque era feio, outras seriam mesmo impensáveis. Isso fazia com que algumas das minhas amigas manifestassem o desejo de serem rapazes.

Não. Não se tratava de nenhuma questão de identidade de género, mas apenas de desejo de poder ser mais livre.

Nessa época ser rapaz significava mais liberdade. Talvez por ter uns pais “modernaços” sempre me senti confortável no papel de rapariga. Nunca fui dada a muitos arrufos nem tão pouco a alimentar diz que disse. Fatores que à partida me colocavam fora de jogo num mundo feminino.

Conforme fui crescendo, fui percebendo que aquilo que se dizia lá por casa era real. “As mulheres são más umas para as outras” dizia-me constantemente a minha avó enquanto me dava inúmeros exemplos da vida dela. Sei que todas essas conversas me foram condicionando tanto que ao longo dos anos fui somando mais amigos do que amigas. Foi assim na adolescência e é assim na idade adulta. Contudo, esses avisos também criaram em mim uma vontade crescente para contribuir para que as coisas mudassem, de que criássemos sistemas para nos apoiarmos, ajudarmos e validarmos verdadeiramente umas às outras. Cheguei até a pensar criar redes de apoio pelo país todo para que nenhuma de nós se sentisse desamparada.

Eu sei, sou uma sonhadora, mas são os que sonham que mudam o mundo!

Há muito tempo que tenho tendência a fugir de grupos específicos de e para mulheres. A minha vivência diz-me que a competição, maledicência, intrigas e sacanice são uma constante e sou muito pouco paciente com essas coisas. Confesso que resisti a fazer parte do grupo MAO por essa mesma razão, mas depois de perceber qual era a intenção não só me identifiquei como escolhi patrocinar.

Desde os primórdios da humanidade que lutamos pelos nossos direitos, por uma vida melhor e pelo reconhecimento numa sociedade patriarcal. Se é verdade que as coisas têm sido alteradas também é verdade que ainda existe muito para ser feito. Costumo dizer que enquanto existir uma única mulher no mundo que não possa decidir por ela nenhuma de nós deve ficar calada. E existem tantas mulheres a precisar da nossa voz. Da voz de quem já se pode manifestar e escolher.

Sendo o elo mais fraco numa sociedade onde os nossos direitos são postos em causa diariamente, temos uma atitude incongruente porque nos perdemos na competição desenfreada e não conseguimos cooperar com vista à união e à interajuda.

É evidente que generalizo. É evidente que existem mulheres que se apoiam e que não são dadas a mesquinhices e julgamentos. Mas são raras, são tão raras!

Acredito que este grupo, também aí, poderá fazer a diferença e apelar à mudança de consciência e de comportamento. Já imaginariam como seria se fossemos todas mais unidas? Já imaginaram ter uma rede de apoio pelo país todo onde o que importa é o resultado e não quem o atingiu? Já imaginaram podermos mudar o padrão da competição para um padrão de cooperação?

Vamos lá minhas caras, coloquem a mão na consciência e assumam com toda a verdade o modo como costumam tratar as outras mulheres!

Quanto a nós voltamos a ver-nos para a semana com mais propostas de reflexão e muito empenho na mudança.

Marta Leal – Coach, terapeuta e formadora

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