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Inurban & A minha vida dava um livro

Desta vez vamos recomendar não um, mas dois projetos de referência do empreendedorismo feminino em Portugal. Isto porque tanto um como o outro representam valores que nos são muito caros e porque ambos resultaram da iniciativa de uma mesma mulher empreendedora que se destaca pela sua garra, determinação e consciência social.

À semelhança daquilo que pretendemos alcançar nas Mulheres à Obra, Manuela Pereira também procura dar visibilidade a sectores da sociedade que se encontram sub-representados na comunicação social e em iniciativas de interesse público. Podemos incluir aqui sectores sociais mais desfavorecidos, mas também o cidadão comum, que se vê remetido para segundo plano por uma sociedade que glorifica a fama.

Se as celebridades são perseguidas até à exaustão e os mais ínfimos pormenores da sua vida privada merecem tempo de antena, as coisas extraordinárias que os cidadãos comuns realizam passam frequentemente despercebidas. Manuela acredita que é possível contrariar esta tendência.

Acreditamos que é necessário contrariá-la, se queremos viver numa sociedade mais justa e equalitária, que respeita os seus cidadãos e lhes concede o reconhecimento que merecem, por isso recomendamos estes projetos tão meritórios.

Os projetos

A Inurban é uma revista mensal, digital e transversal, isenta de sensacionalismos, que procura atingir todas as camadas culturais através de artigos ecléticos e objetivos. Dá visibilidade a nichos menos expostos que aqui ganham a oportunidade de se expressar publicamente. A sua visão baseia-se na igualdade de oportunidade de voz e de participação, democratizando assim a intervenção social. Pode encontrá-la no Facebook e no ISUU.

A minha vida dava um livro é, nas palavras de Manuela, uma forma diferente de homenagear alguém pela publicação da sua própria biografia. A história de vida passa assim da memória oral para o registo escrito, o que permite a sua perpetuação e divulgação. Mais uma vez, dá a voz e o protagonismo a pessoas que merecem partilhar a sua experiência e que dificilmente encontram oportunidades para o fazer.

A sua mentora

Fomos conhecer a Manuela e saber como coloca a sua energia e criatividade ao serviço destes projetos tão interessantes.

Porquê criar uma revista baseada na igualdade de oportunidades e na visibilidade de todas as camadas da sociedade? 

A inurban é um projeto digital e de acesso gratuito precisamente para poder chegar e abranger uma população mais vasta, não olhando ao género, à etnia ou à condição social. O nosso objetivo é poder chegar a quem tem menos voz de forma eclética. A sociedade está formatada, por defeito, para o que está mais exposto, mais mediático, esquecendo-se que, para alguém chegar a uma exposição significativa, precisa que os mecanismos dos Media ajude ao salto. Pretendemos fazer essa diferença.

Os Media em Portugal não o fazem já? 

Não, nem todos o fazem partindo do princípio do anonimato. Quem não gera cliques (no digital), compra (neste caso de revista), tem o share menos valorizado, perde voz. Qualquer canal Media tem como objetivo os números e as vendas, como é obvio e necessário; no entanto, focam-se de forma absoluta nisso, tapando oportunidades aos que começam, aos que necessitam desse espaço por momentos. Culpa, também, de quem investe na publicidade que incentiva à equação Visualizações /share = investimento, deixando, assim, poucas possibilidades aos menos expostos. O exemplo disto são os novos Influenciadores.

Quem está sub e sobre representado na nossa comunicação social?

Sobre representado quem tem mediatismo social (seja ele qual for), sub representado quem constrói deveras projetos, mas não é conhecido porque trabalha sem chamar a atenção. Quem não tem coligações com grandes empresas ou grandes nomes. No geral, há um esquecimento por parte dos Media na gente anónima que tem tanto talento.

Quais as consequências da falta de visibilidade, e de voz, que afeta camadas significativas da nossa população?

A consequência é a falta de oportunidade que isso gera em novos rostos, novos projetos, novas cidades e identidades. As oportunidades também requerem sorte e, quase sempre, a sorte chama-se Falar sobre isso. Se os Media, a nossa maior potencia social, não o fazem, como é que se expõe novas informações, novas pessoas?

Que nichos de mercado encontram voz na Inurban?

Todos. Podia divagar na resposta. Mas ela é só uma. Todos.

A tua vida dava um livro? Porquê?

Porque a vida de todos nós dá, de facto, um livro. Todas as histórias de vida são verdadeiras lições e inspirações para outros. Nenhuma história de vida é vivida ao acaso. Tudo tem um porquê, tudo tem uma missão.

Todas as histórias deviam ser escritas e partilhadas. Só assim entenderíamos melhor as pessoas e os seus afetos. É preciso conhecer as pessoas de dentro para fora para perceber os seus limites e as suas lutas.

E a vida de outras mulheres empreendedoras que não são celebridades nem referências na sua área?

Há imensas …há tantas. Que deviam e mereciam ter essa imortalidade. É preciso perceber que um livro é uma forma de eternidade. De verdade.

O cidadão comum tem interesse em conhecer a história de vida de outros cidadãos comuns, ou os vossos livros são essencialmente para a família e amigos?

Sim, tem. O cidadão comum é o nosso principal target. Pessoas anónimas que editam as suas histórias e as colocam no mundo. A comercializam, exatamente para isso. Pela partilha de quem foram e do que fizeram. São raros os que apenas escrevem para deixar a obra à família. Quase todos, mesmo os mais anónimos, escrevem para os outros. E os outros lêem-nos.

O que tem o cidadão comum de extraordinário?

A sua vida e quem são. O nosso maior poder é não sermos iguais a mais ninguém. É vivermos coisas que, quando parecidas aos outros, são sentidas à nossa maneira. Nada é comparável. cada cidadão, cada pessoa tem o seu caminho e a sua aprendizagem. Uma mesma situação pode significar coisas distintas em várias pessoas, provocar mudanças diferentes, produzir aprendizagens completamente díspares. O cidadão comum, todos, são mestres. Estamos sempre a aprender e a ser fontes de ensinamentos.

O que podemos aprender uns com os outros?

Sobretudo, a ser genuínos. Não temos que ser iguais a ninguém. Cada vida é única e intransmissível. São estas dicotomias entre os nós que nos permitem realizar e produzir.

O que já aprendeste com os teus biografados?

A ouvir. A ser mais humilde e a ganhar a certeza da finitude da vida. Tudo muda, tudo acaba, tudo se transforma em apenas 1 segundo. O futuro é apenas uma ilusão. Existe o passado e o presente. Devemos viver um dia de cada vez, porque o “a seguir” não existe se deixarmos de morrer o “agora”.

Será que o registo da memória tende a ser a história daqueles que não têm voz, devido à falta de «tempo de antena» que frequentemente afeta quem não é uma celebridade?

Não só. Alguns sim, mas a maior parte deles quer partilhar. Quer continuar vivo, mesmo quando já não estiver. E um livro dá essa eternidade. Essa materialização. Eles querem partilhar a sua essência, fazer refletir. Dignificar a sua passagem por aqui.

Quem quiser que a sua vida seja um livro, o que deve fazer?

Contactar a editora. Não precisa de ter nada escrito ou um livro já redigido. A editora tem ghostwriter que tem por objetivo escrever essa história que será contada. Basta um contacto.

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