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No sofá com a Empreendedora Ana Calha – English for Life

Ana Calha

P. – Qual a tua atividade profissional?

Sou autora e professora dos cursos de conversação English for Life, desenhados e pensados por mim para chegar aos alunos para quem o inglês possa parecer uma impossibilidade nas diversas áreas das suas vidas. Mensalmente acompanho entre 30 a 40 alunos de todos os níveis de inglês.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Sempre gostei muito do que fazia. Dos 20 aos 25 anos de idade trabalhei como correspondente em Inglaterra para várias publicações portuguesas na área da música e cultura. Voltei para Portugal e a sensação de não estar a contribuir de forma útil para ninguém através do meu trabalho foi-se instalando. Comecei a dar aulas de inglês e dei assim entrada no mundo do ensino. Fui estudar nos EUA, onde fiz um mestrado para aprender mais sobre pedagogia e linguística e fui dando aulas em escolas que considerava sempre melhores. A par disso, dava formação em diálogo intercultural e inter-religioso e fui criando cursos na área do diálogo como ferramenta de verdadeira transformação.

Ao perder um primeiro bebé devido a um aborto espontâneo, tomei uma decisão. Se esta vida tinha tentado viver e não tinha conseguido, eu podia aproveitar para viver a minha muito melhor do que até então. Eu sim, estava viva. De forma muito espontânea, decidi desenhar os cursos de inglês que sempre acreditei servirem as necessidades dos alunos que querem uma comunicação real, útil e construtiva.

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

Depois de desenhar os primeiros cursos de conversação, a que chamei English for Life, dei aulas no Centro Ismaili em Lisboa, em 2014. Percebi o quanto as pessoas estavam sedentas de espaços de conversa sobre os temas que mais lhes interessam. E que ao usarem o inglês para se expressarem com tanto entusiasmo, deixam de se focar no medo de errar frente aos outros. A partir daí, e sem me aperceber muito bem, de um aluno surgiu outro e outro. Tudo muito orgânico.

Quando reparei estava a dar a primeira aula online a uma aluna no Algarve. Num momento de reflexão compreendi como poderia ser um formato extraordinário para aulas de conversação em pequenos grupos online. Senti que a tecnologia não seria de forma alguma um entrave e isso veio, de facto, a comprovar-se.

 P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

A questão da tecnologia e como garantir que todos os alunos têm as melhores condições para desfrutarem de uma aula em videoconferência é um tema sempre presente. Continuo a procurar as melhores ferramentas nesta área, bem como a apoiar individualmente cada um dos cerca de 40 alunos, para que as suas condições tecnológicas não os afetem, nem a eles nem ao resto do grupo.

A outra questão que se apresenta regularmente é como, por agora, ser eu a única pessoa que cuida de todos os aspectos da escola. Além de criar os cursos e de leciona-los, cuido da contabilidade, publicidade e qualquer outra questão que surja. Tento criar prioridades semanais e diárias, ao mesmo tempo que, a cada novo ano lectivo, tento planear mais a longo prazo e antecipar potenciais problemas.

Por fim, e talvez o mais complexo de tudo, tem sido gerir uma escola com aulas online (mas no espaço da minha casa) e ter agora uma bebé de 20 meses. O desafio de ser mãe sem apoio de familiares por perto, gerir todos os aspectos da escola e ser dona de casa. A única forma que tenho encontrado para esta fase da vida é dar passos curtos ao nível da criação de novos cursos e projectos novos que tenho vindo a desenhar dentro de mim. Pessoalmente tenho dificuldade em ir um passo de cada vez, mas tem sido a única forma de me sentir sólida em todas as áreas. Ser mais flexível comigo.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Em termos do ensino do inglês, estou neste momento a dar o modelo de aulas de inglês em que realmente acredito, o que nem sempre aconteceu noutras escolas. E consigo aliar isto a objetivos que acredito serem muito maiores, como conseguir que os alunos vençam medos antigos associados ao uso do inglês no seu dia-a-dia, bem como criar um espaço onde as pessoas sentem que se podem expressar sobre aquilo que as preocupa, ao mesmo tempo que aprendem com outros.

Em termos do funcionamento da escola, é sem dúvida difícil saber que o meu vencimento depende totalmente de mim. As vidas dos alunos vão mudando e a disponibilidade também, e tenho de estar sempre pronta a recomeçar muitas vezes para garantir o número de alunos necessários. Além disso, tive que descobrir uma forma de ser intensamente organizada, de modo a conseguir tratar de tudo.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

A quem interesse o formato de cursos online é importante saberem se estão de facto dispostas a estar fechadas horas a fio num único espaço frente ao computador. No meu caso, os diálogos em inglês são profundamente enriquecedores por isso nunca me sinto isolada, mas este aspecto do trabalho online pode ser pesado para algumas pessoas.

Ainda em relação a este formato, é importante ter tempo para vermos a luz do dia e fazer exercício. Estou ainda a aprender a gerir estas duas questões. Por vezes,no espaço ocasional de meia hora entre duas aulas ,forço-me a ir caminhar fora de casa e voltar a sentar-me à secretária.

Outra questão importante, visto que tenho alunos em vários países, é conhecer bem junto das Finanças como processar os pagamentos de alunos estrangeiros.

Pessoalmente acredito que é essencial neste ramo estar sempre a estudar novas formas de ensinar, aprender novo vocabulário na língua que leccionamos e entender a cultura dos países onde esta se fala.

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