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Blog para que te quero – A Pipoca mais Doce

Conheça as Mulheres diferenciadoras que fazem os Blogs de maior sucesso em Portugal

O mundo dos Blogs exerce um fascínio considerável sobre o público adepto das redes sociais, que tanto segue bloggers inspiradores, como sonha em vir a ter o seu próprio blog. Se frequentemente se «sonha» com a possibilidade de se transformar um blog num negócio de sucesso, há algo que não devemos esquecer: um blog verdadeiramente interessante não é apenas um negócio e tem sempre algo de genuíno e original. Tem aquele toque pessoal de quem o criou, transmite parte da sua essência, reflete a sua sensibilidade.

Não pode ser copiado, repetido ou imitado. Não há uma fórmula para o sucesso de um blog, o sucesso deriva de fatores muito pessoais, únicos e irrepetíveis. Há pessoas interessantes, com muito para partilhar, que conseguiram transformar os seus blogs em referências incontornáveis da blogosfera. Fomos conhecer duas bloggers que se enquadram neste perfil e que dispensam apresentações: Ana Garcia Martins (A Pipoca Mais Doce) e Sofia Castro Fernandes (Às nove no meu blog).

Ana Garcia Martins: «A Pipoca mais Doce»

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Blog A Pipoca mais doce

Como nasceu «A Pipoca mais Doce»?

O blog nasceu em 2004, numa altura em que os blogs estavam a dar os primeiros passos em Portugal. Eu tinha  acabado de sair da faculdade, estava a estagiar como jornalista e percebi, rapidamente, que o meu tipo de escrita e os temas que gostava de abordar não tinham espaço no jornal, por óbvias contingências editoriais.

Resolvi  experimentar criar um blog, parecia-me uma espécie de prolongamento dos diários que sempre tinha tido em miúda, mas com uma vertente mais egóica, porque estava aberto para toda a gente ler. Começou por ser uma brincadeira, um espaço para escrever sobre tudo o que me vinha à cabeça e, aos poucos, foi ganhando outra dimensão.

Quem era a Ana antes do blogue e quem é ela agora?

Quando comecei o blog tinha 23 anos, estava a entrar no mercado de trabalho, era solteira, vivia com os meus pais e não tinha nenhuma espécie de filtro do que escrevia. Era muito corrosiva, muito sarcástica, com um humor um bocadinho negro, e acho que isso se foi perdendo com o tempo. Não só porque fui ficando mais velha mas, sobretudo, porque a atitude de quem está nas redes sociais mudou. As pessoas procuram polémicas em tudo, indignam-se com qualquer coisa, por mais inócua que seja, e isso é muito cansativo para quem tenta ter um espaço mais criativo.

Quinze anos depois de ter começado o blog, sou muitíssimo mais ponderada, dou por mim a medir cada palavra que escrevo e, muitas vezes, até opto por não escrever sobre determinados assuntos. Não é por não me apetecer, é só porque já sei que as reações são tão extremadas, agressivas e violenta que, muitas vezes, perco a vontade. Tenho pena, mas é o preço a pagar pela minha paz de espírito.

O que nos revelas sobre ti no teu blog?

Muita gente tende a achar que um blogger expõe tudo sobre a sua vida, mas não é verdade, pelo menos no meu caso. Na verdade, acho que me exponho cada vez menos, porque as pessoas são pródigas em tecer juízos de valor só com base naquilo que lêem e que é só uma parte ínfima da minha vida.

Ainda assim, não tenho qualquer problema em partilhar algumas histórias mais pessoais, porque acho que também foi isso que criou empatia com muitas das pessoas que me seguem. E há quem esteja ali desde o início, quem tenha acompanhado as minha aventuras desde que tinha vinte e poucos anos e que depois me viu crescer, casar, ter filhos, o processo normal.

Há um certo sentimento de identificação, quem me segue sabe que sou uma pessoa absolutamente normal, com os mesmos problemas, alegrias, angústias ou dilemas de qualquer outra pessoa.

Quem são os teus seguidores? Como te relacionas com eles?

Os meus seguidores são essencialmente mulheres entre os 20 e os 50 anos, espalhadas um pouco por todo o país. Há
quem me acompanhe desde sempre e há sempre quem vá chegando pela primeira vez. Infelizmente, não consigo dar resposta a toda a gente que me envia mails ou deixa comentários, mas gosto muito quando as pessoas me abordam para dizer que gostam do blog.

Fico sempre feliz quando alguém me diz que estava a ter um dia horrível, passou no blog e largou a rir à gargalhada
com qualquer coisa que leu por lá. Porque esse sempre foi o principal objetivo do blog e é bom saber que continua a cumpri-lo ao fim de tanto tempo.

Quais as tuas expectativas quando o criaste?

Nenhumas. Só queria uma plataforma onde pudesse escrever sobre tudo, num registo mais humorístico. Há 15 anos, era impensável que alguém pudesse fazer de um blog profissão. Aliás, as minhas primeiras parcerias comerciais só começaram a aparecer ao fim de uns cinco ou seis anos de blog.

Eu escrevia apenas por prazer, sem nenhuma contrapartida. Hoje em dia é o meu trabalho, mas continua a ser uma coisa que me dá muito gozo.

Sentes-te realizada neste percurso profissional?

Sim. Há uns quatro ou cinco anos, deixei o jornalismo para me dedicar exclusivamente ao blog e, até agora, ainda não me arrependi. Senti que precisava de ver até onde é que este projeto podia ir e isso não era possível se continuasse a trabalhar noutro sítio, porque o blog implica muito investimento a nível de tempo.

Como compatibilizas a vida familiar com a vida profissional?

O melhor e o pior destas novas profissões ligadas às redes sociais é que não temos um horário de trabalho certinho, aquela coisa das nove às cinco. Isto permite-me gerir o meu tempo como me dá mais jeito mas, por outro lado,  também não há férias nem fins-de-semana.

Mesmo agora, que tive um bebé há pouco tempo, não posso simplesmente desligar-me do blog durante cinco meses para gozar a licença de maternidade. Tento fazer uma gestão ponderada, de forma a que nem o trabalho nem a família saiam a perder, mas nem sempre é possível.

Quais os ingredientes para o teu sucesso que podes partilhar connosco?

Não sei, acho que não há propriamente uma receita. O blog tem muitos anos, foi crescendo de forma muito orgânica. No início, nem sequer havia Facebook ou Instagram, por isso, foi muito na base do passa-palavra. Acho que as pessoas sempre se foram identificando com os temas abordados e acham piada ao tipo de escrita. Penso que é isso
que me diferencia verdadeiramente, há um registo muito específico.

O processo de crescimento do blogue tem tido avanços e recuos, ou tem tido sempre uma trajetória ascendente? Se existem momentos mais desafiantes, como os ultrapassas?

Felizmente, a trajetória tem sido ascendente, mas claro que também vou tentando acompanhar as constantes alterações que este meio vai sofrendo. Por exemplo, comecei a fazer vídeos porque percebi que era um registo que os
seguidores e as marcas gostavam. Não percebia nada do assunto, por isso, fiz um curso de edição para saber, pelo menos, o básico.

Neste momento, sinto que muita gente está a migrar dos blogs para o Instagram, as pessoas querem conteúdos que sejam mais rápidos de consumir, privilegiam a imagem ao texto. E, talvez por isso, tenho passado lá mais tempo.

Tem sido um crescimento espontâneo e não planeado ou tens uma estratégia de negócio bem delineada?

Vou tendo alguns planos para o blog, mas nada muito rígido. Basicamente, as oportunidades vão surgindo e eu vou fazendo uma triagem do que me parece mais válido. Não há uma estratégia concertada.

És apoiada por uma equipa profissional ou és uma «one woman show»?

Os textos são todos escritos por mim, mas depois tenho uma pessoa que me ajuda no desenvolvimento das parcerias comerciais, e uma fotógrafa e um videógrafo com quem trabalho sempre que necessário. Adorava ter uma equipa editorial, mas tenho medo que isso se pudesse refletir no registo dos textos.

A qualidade dos conteúdos é suficiente para garantir o sucesso de um blogue ou o marketing digital desempenha um papel importante?

A qualidade dos conteúdos é o mais importante, é isso que capta os leitores e os mantém fiéis.

Como garantir a sustentabilidade financeira de um blog sem comprometer a sua qualidade?

No meu caso, todos os dias faço uma seleção apurada daquilo que acho que tem ou não espaço no blog. Rejeito diversas parcerias por não me identificar com as mesmas ou por achar que não aportam nada de relevante para os
meus seguidores.

Além disso, também não quero que o blog se transforme num catálogo interminável de produtos, por isso, vou tentando fazer uma gestão ponderada dos conteúdos comerciais.

Utilizas diversas redes sociais. Que avaliação fazes do seu potencial e que desafios te colocam?

Estou apenas no Facebook e no Instagram. No Facebook, limito-me praticamente a reproduzir conteúdos das minhas outras plataformas. Com as limitações que o Facebook impõe através do algoritmo, se não forem conteúdos
patrocinados chegam apenas a meia dúzia de pessoas, e isso irrita-me um bocadinho.

É por isso que me tenho dedicado mais ao Instagram. Apesar de também ter algumas limitações, os conteúdos chegam a mais gente e é possível fazer coisas mais criativas.

Existe espírito de entreajuda entre bloguers em Portugal?

Acho que é um meio um bocadinho competitivo, porque o mercado é pequeno e, consequentemente, não pode haver sempre trabalho para toda a gente. Isso fomenta algumas invejinhas e conversas paralelas. Tento abstrair-me disso, é contraproducente. Acho que cada um tem de se preocupar em produzir os melhores conteúdos possíveis, o resto virá por acréscimo.

Que dicas dás a quem está a dar os primeiros passos como bloguer?

Que procurem ter uma voz que os distinga. Hoje em dia, muitos blogs são meros clones uns dos outros, tenta-se reproduzir fórmulas de sucesso em vez de se criar algo novo e que marque a diferença.

O blog para além do blog: Que outras iniciativas desenvolves e quais os teus projetos para o futuro?

Neste momento, estou focada no blog e no seu crescimento. Há sempre alguns projetos paralelos a surgir, mas quero fazer mudanças de fundo no blog. E em 2019, gostava de voltar aos livros.

Excerto de conteúdo publicado na Revista Digital Gratuita das Mulheres à Obra.

Leia aqui a reportagem completa:

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