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No sofá com a empreendedora Cláudia Ribeiro – My Student Plan

My Student Plan

P. – Qual a tua atividade profissional?

Neste momento tenho duas. Mas apenas irei falar de uma pois é o que nos interessa aqui! Tenho uma loja online de produtos de papelaria personalizados feitos à mão por mim – a My Student Plan.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Desde muito pequenina que tenho o bichinho do empreendedorismo.

Quando ainda andava na primária comecei a fazer porta-chaves e a vender aos meus colegas; achava que tinha ali um negócio ao nível de uma multinacional mas que rapidamente foi por água abaixo porque o meu pai não achava lá muita piada e queria que me focasse na escola.

Depois dos porta-chaves, vieram as missangas. Com mais ou menos 10 anos decidi criar mais uma “multinacional”, por isso falei com um vizinho e decidimos começar a falar pulseiras e colares de missangas. Claro que só vendemos a familiares mas divertimo-nos imenso nas férias de verão. Com o fim das férias, dividimos os lucros e demos por terminada a brincadeira.

Depois, até à faculdade fui vendendo artigos em segunda mão no Olx e sites do género. Cheguei a criar uma loja na Etsy para vender recargas para agendas digitais mas não investi muito na loja, pelo que entretanto fechei.

Em 2016 abri então a My Student Plan, que é a minha maior aventura até hoje!

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

O meu percurso empreendedor começou por motivos menos simpáticos. Sempre necessitei de ter algo que me ocupasse, que me mantivesse ativa, por isso, nas férias da faculdade de 2016 decidi criar a loja. Na altura precisava imenso de ter um escape criativo porque sentia que a faculdade estava a ser demais… E foi sem dúvida o melhor que fiz.

Fui criando novas coisas e fui tendo um ótimo feedback nas redes sociais e comecei a perceber que a loja poderia ter um bom futuro e, por isso, comecei a investir mais tempo nela. De 2016 a (inicio de 2018) sempre me foquei muito em vender para fora de Portugal porque achava que não tinha propriamente um público interessado neste tipo de trabalhos, no entanto, com a chegada ao fim da faculdade e com a constatação de que tirei um curso que não me permite sentir realizada e feliz, decidi mexer as mãozinhas e fazer algo que se enquadrasse no mercado português. Fiz umas agendas especiais para o regresso às aulas e correu mesmo muito bem; a loja cresceu imenso, faturei como nunca faturei, enfim, foi a melhor época da loja desde sempre.

Com este avanço na loja decidi então começar a tornar a coisa mais séria. Fui a uma contabilista e pedi ajuda na abertura da atividade. Em julho de 2018, criei o meu site. Em Outubro subscrevi a um programa de faturação. Desde então tenho ido a vários mercados e eventos mostrar e vender os meus produtos. E, em Janeiro de 2019, decidi dar o meu maior passo: arranjar uma loja.

P.– Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Este caminho tem sido um bocado solitário e acho que esta foi/é a dificuldade que mais senti. Tudo o que é necessário para fazer um negócio andar, todas as informações, todas as ideias, todas as burocracias, surgiam/surgem dispersas… Para quem nunca esteve nesta situação, consegue tornar-se um pouco complicado gerir tanta coisa simultaneamente sabendo tão pouco. No entanto, acho que esta é uma das vertentes do empreendedorismo que me atrai tanto… É um negócio depender de nós para crescer e isso faz-nos correr meio mundo à procura da resposta certa; faz-nos pensar e lutar para saber mais e melhor e, por isso, faz-nos crescer.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Bem, esta loja foi na verdade o meu primeiro trabalho, no entanto, vou comparar com o meu “trabalho” enquanto estudante. Tirei um Mestrado em Psicologia (com especialização em Psicologia Clínica) e, no fim da licenciatura, não comecei a gostar lá muito da coisa; no entanto, como me senti na obrigação de continuar os estudos e na esperança que voltasse a adorar esta área, decidi então continuar para o Mestrado. No geral, o percurso pela faculdade foi muito esgotante, especialmente por ser tão exigente e por ser algo que não me suscitava interesse. A maior diferença quando comparado com a faculdade é que a loja faz-me realmente pensar e lutar pelas coisas; é como se fosse o meu bebé que eu quero proteger, cuidar e ver crescer.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Que tenham muita paciência e que criem algo que realmente gostem. Se vão começar um negócio pensando que no próximo ano estão a nadar em dinheiro e a viver nas Maldivas, provavelmente vão ficar desiludidas. É duro e tem uma curva de aprendizagem enorme. Ainda assim, incentivo a quem tenha o bichinho do empreendedorismo a avançar com as suas ideias porque é um caminho extremamente enriquecedor.

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