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Trabalhar sem horários – Como gerir a relação com os filhos

Tal como muitas de vós, também sou mãe, mulher, esposa, filha, profissional, etc. Desempenho vários papeis e, tal como muitas de vós, também me debato com a eterna questão do equilíbrio entre os vários papeis e as várias áreas da vida.

Esta necessidade de equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional é muito maior em nós mulheres, penso que tem a ver que o nosso nível de exigência no desempenho destes vários papeis.

Para a maior parte das mães que trabalham com horários pouco flexíveis, é difícil equilibrar a atenção e o cuidado que querem dedicar aos seus filhos com a atenção e o cuidado que precisam dedicar aos seus empregos.

Esta foi uma das razões que me levou a enveredar pelo caminho do empreendorismo e de um negócio próprio: a necessidade de ter um maior controlo do meu tempo e uma maior disponibilidade para a família.

No meu caso, a flexibilidade de horários permite-me uma gestão do meu tempo em função das minhas prioridades e daquilo que é mais importante para mim em determinada altura. Uma sensação de liberdade e ao mesmo tempo de controlo da minha vida.

A possibilidade de estar disponível para as minhas filhas em variadas alturas, sejam eventos da escola, atividades extra, passeios, compras, lanches e outras ocasiões, permitiu-me também cultivar uma relação forte com elas, cheia de companheirismo e cumplicidade. Estar presente nos jogos, nas atividades e festas da escola, nas reuniões de pais, importa. Importa para os nossos filhos e importa para nós.

A minha maior realização passa principalmente por ter acompanhado e continuar a acompanhar as minhas filhas em vários momentos importantes e menos importantes na vida delas.

Às minhas filhas devo o meu maior crescimento enquanto pessoa e foi esta possibilidade de estar presente e em conexão com elas que me fez crescer enormemente (as crianças têm tanto para nos ensinar).

Trabalhar sem horários ou com horários flexíveis não significa trabalhar menos, mas sim trabalhar de uma forma mais organizada, com disciplina e planeamento. Defino o meu horário em função do que é necessário, equilibro o meu tempo conforme preciso e estou mais presente para a família.

As minhas filhas sabem que estou presente quando necessário ou na maior parte das situações em que necessitam mas há que definir algumas regras e criar hábitos de modo a que se respeitem as necessidades de todos na família.

Regras e hábitos

• O horário é flexível mas o trabalho tem que ser feito. Cabe-me a mim perceber e decidir sobre a prioridade e a importância de cada atividade.

• Tarefas e compromissos são diferentes: há compromissos importantes que não deverão ser “adiáveis” ou com timings específicos, e que requerem a minha completa atenção, e há tarefas e atividades que desempenho ao longo do dia mas que posso decidir sobre o timing em que são feitas. Aqui tenho escolha.

• Aprendi a comunicar as minhas necessidades e os meus limites : Nem sempre posso dar atenção. Se estou a trabalhar em casa não quer dizer que esteja disponível.Tive que aprender a dizer “agora não posso pois tenho que terminar o que estou a fazer” ou “dá-me 10 minutos e já te dou atenção” e as minhas filhas tiveram que aprender a respeitar o meu tempo. O facto de se habituarem a ver-me muitas vezes trabalhar em casa criou a sensação de disponibilidade permanente que foi preciso “educar”.

• Um dos grandes inimigos da nossa conexão com os nossos filhos é o Multitasking – Poder estar presente, implica estar efetivamente presente. Se decido ter tempo para a família tenho que saber desligar do trabalho, se tenho que trabalhar, tenho que o saber comunicar na certeza que mais tarde haverá o tempo para a família. As duas coisas ao mesmo tempo não funciona nem para nós nem para os nossos filhos.

• Tal como gosto de definir tempo na minha agenda para mim, e não posso descurá-lo, também gosto de definir tempo especifico para as minhas filhas em função dos seus horários escolares, e combinar por exemplo um almoço ou um lanche que nos permita conversar a sós.

“Cultivar a relação com as minhas filhas tem sido uma prioridade para mim, no entanto, não me posso esquecer das minhas necessidades pessoais e até profissionais para me sentir realizada e estar no meu melhor para mim e para elas.”

Planeamento e flexibilidade

“É na verdade o planeamento que me permite ser mais flexível nos horários.”

Planear permite-me orientar o meu tempo em função do que é importante e não em resposta a urgências ou circunstâncias. Definir prioridades é um hábito essencial para a gestão do meu tempo. Quando planeio a minha semana tenho em conta os meus vários papéis e que tempo quero dedicar a cada um.

Há alturas em que quero dedicar mais tempo à família, há alturas em que quero dedicar mais tempo ao trabalho, há altura em que é importante cultivar relações, há alturas em que é importante ter mais tempo para mim.

Mudança de Mindset

Se mudarmos a cultura de trabalho existente e percebermos que o trabalho não é definido por horas gastas mas pelas contribuições feitas, conseguimos um melhor equilíbrio entre trabalho e vida familiar. Todos temos a ganhar, nós, os nossos filhos e as empresas.

Para nós mulheres, a flexibilidade de horários pode ser uma forma de sermos mais produtivas mas mantendo o equilíbrio entre família e trabalho e sem sentimentos de culpa por não darmos a atenção que pretendíamos aos nossos filhos.

As mulheres podem trabalhar tanto quanto os homens, mas como a maioria das responsabilidades domésticas e com os filhos ainda recai sobre as mulheres, elas precisam de maior flexibilidade para fazer tudo funcionar.

Fátima Gouveia e Silva (Coach e Facilitadora de Parentalidade consciente)

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