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Empreendedorismo Social – Sê a mudança que queres ver no mundo

Stella Airoldi é empreendedora social e a fundadora da 22STARS, uma loja online que produz joalharia numa comunidade de artesãs no Uganda, com papel reciclado. Além disso, é também a fundadora da instituição 22STARS Foundation. Esta fundação permite, através de um modelo de doação, enviar crianças para a escola, no Uganda, dando-lhes uma refeição quente e nutrida por semana.

Desenvolve ainda um programa de financiamento que pretende ajudar as comunidades locais a serem sustentáveis, proporcionando-lhes uma vida melhor.

Quem é a Stella Airoldi?

Estudei Direito Holandês e Criminologia e tenho um mestrado em Direito Internacional Público e um Mestrado Avançado em Direitos Humanos e Democratização. Trabalhei em pequenas e grandes organizações internacionais, especialmente na área de desenvolvimento e um ano no quadro da SIFE Leiden (ENACTUS), onde aprendi que a melhor maneira de ajudar as pessoas a sair da pobreza passa por ajudá-las a serem sustentáveis por si próprias.

Em 2013, comecei um projeto social de joalharia que visava empoderar uma comunidade de mulheres: a 22STARS. Com as vendas que fazia iniciei vários programas de desenvolvimento nas comunidades de artesãos em diversas áreas, como educação, microcrédito, saúde, dança e música.

Como a venda de produtos era imprevisível e subia e descia muito, acrescentei a esse modelo de negócio um modelo baseado em doações para financiar os meus programas sociais. Em 2017, comecei a fundação 22STARS para capacitar as comunidades dos bairros mais pobres do Uganda.

Além disso, sou a fundadora da plataforma Social Impact Nomads: uma plataforma onde dou formação a outras pessoas que queiram causar impacto positivo no mundo e conecto organizações locais com voluntários online, organizo viagens de impacto social no Uganda e realizo um Podcast de Impacto Social para Nómadas Digitais.

O que é isso de ser nómada digital e/ ou nómada social?

Sou nómada há já alguns anos, porque não tenho um lugar onde moro permanentemente e estou sempre de um lado para o outro. A verdade é que posso fazer o meu trabalho em qualquer parte do mundo, tendo um computador e, daí, o termo nómada digital. No entanto, também sou empreendedora social e criadora de impacto social. E foi assim que surgiu o termo “Social Nomad” (nómada social).

Porque é que é tão importante para ti fazer a diferença?

Nasci na Alemanha, mas devido à separação dos meus pais, mudei-me aos 6 anos com a minha mãe para a Holanda, onde ela se casou com o meu padrasto. O meu irmão mais velho ficou na Alemanha com o meu pai e madrasta.

Cresci numa família muito empreendedora e entusiasta de viajantes com todos os “privilégios que os brancos têm”. Mas devido à minha estranha situação familiar e todos os desafios que surgiram com isso, senti-me muitas vezes sem esperança, ainda enquanto era criança.

Por essa razão decidi seguir Direito e, mais especificamente, estudar os direitos das crianças. Depois do meu Bacharelato, viajei à volta do mundo durante 8 meses, sendo diariamente confrontada com a pobreza e a injustiça. E foi então que decidi focar-me nos direitos das crianças nos países pós-conflito e fazer um mestrado em Direito Internacional.

Para me especializar mais neste campo, continuei e fiz um Mestrado Avançado em Direitos Humanos e Democracia da European Inter-University Center for Human Rights and Democratization (EUIC). Em 2009, fui ao Uganda para fazer pesquisas sobre meninas-soldado. Mais tarde, trabalhei, entre outros, no Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos e na Delegação da União Europeia na China.

Vivi em vários lugares bonitos ao redor do mundo e trabalhei em tópicos que são muito importantes para mim, mas não estava feliz e satisfeita. Queria começar a ver a minha família com mais frequência, queria trabalhar diretamente com as pessoas no terreno e tinha as minhas próprias ideias sobre como a ajuda no campo do desenvolvimento deveria ser feita.

E foi aí que decidi que estava na hora de mudar a minha vida!

Que projetos desenvolveste?

Desde 2009, eu estava a ajudar financeiramente Susan Laker, uma mulher que eu conheci no Uganda. Susan era apenas 2 anos mais velha do que eu (26 na época), mas já tinha 3 filhos adolescentes. A sua história, o seu caráter forte e entusiasmo tocaram o meu coração. Comunicávamos através de um tradutor, já que eu não podia comunicar diretamente com ela, pois era analfabeta.

No final de 2012, fiquei super curiosa em saber como é que Susan estava a viver e voltei para o Uganda, assustada e sem saber o que esperar. Estava sentada no avião a pensar em todos os tipos de cenários e a maior parte não eram nada bons. Mas aconteceu que, graças ao meu apoio, a Susan mudou-se com os seus filhos para uma pequena casa com portas e janelas, ainda sem água e eletricidade, mas muito maior do que era antes. E o melhor, voltou para a escola e aprendeu inglês!

E assim fui finalmente capaz de falar com ela pessoalmente! Esse foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida! Ela e as outras mulheres da sua comunidade tinham também começado a criar joalharia feita de papel reciclado, mas precisavam de ajuda com projetos que funcionassem no mercado europeu.

Comecei a alugar a casa que herdei do meu padrasto falecido, dei alguns passos para trás quando se tratava de gastar dinheiro e mudei o meu ambiente de trabalhar longos dias e festejar e fazer compras o fim de semana inteiro para me tornar mais consciente, focando-me em criar impacto usando a moda, o empreendedorismo e a educação.

E foi assim que nasceu a 22STARS!

Atualmente, temos 5 projetos na Fundação 22STARS:

1) Programa de Educação, no qual enviamos 300 crianças para a escola.

2) Programa de nutrição, proporcionando às crianças uma refeição quente todas as semanas.

3) Programa de Formação para Pequenos Negócios e Microempréstimos; apoiando 56 famílias,

4) Programa de Desenvolvimento, para pagar despesas médicas, colchões, filtros de água, etc.

5) Programa pós-escolas, para proporcionar aulas extra às crianças nas férias.

Trabalho, tanto quanto possível, com pessoas locais e adoro ensinar-lhes novas habilidades. Os nossos gestores de projetos locais vivem na nossa área de projeto/atuação e sabem exatamente o que funciona e o que não funciona e eles ensinaram-me bem mais do que eu a eles! As nossas atividades que podem ser desempenhadas por voluntários incluem principalmente posições de “trabalho remoto”, e também tornar-se num afiliado e vender as nossas jóias, tarefas que podem ser feitas de qualquer lugar.

Por isso, se tiveres interesse em colaborar, contacta-me! Toda a ajuda é bem-vinda!

Como é que as pessoas podem fazer a diferença no mundo em que vivemos?

Tudo começa com as pequenas coisas. Sê gentil com as pessoas ao teu redor. Sorri. Dá apoio a quem já ajuda. Basta olhares ao teu redor e fazer às pessoas a pergunta “Como posso ajudar”? No que toca ao meio ambiente, é mais fácil perceber: tenta evitar copos de plástico, palhinhas, procura produtos mais amigos do ambiente, etc.

Em vez de deitares fora as tuas roupas, dá. Oferece parte do teu tempo e das tuas habilidades à tua própria comunidade. Ou procura no exterior e vê como poderias ajudar organizações, como a minha no Uganda, com as tuas competências, tempo e dinheiro. Se geres um negócio e estás a ter lucro, pensa em doar 10% para uma instituição. Podes fazer coisas incríveis com esse valor! Mas, claro, se tiveres tempo, oferece as tuas competências e o teu tempo. Na minha organização, estamos sempre interessados ​​em pessoas que gostariam de nos dar o seu tempo e trabalhar connosco.

Quais são os teus maiores desafios?

Adorava que os meus dias tivessem 48 horas! Não sou eficaz a encontrar pessoas a quem delegar certas tarefas e encontrar pessoas que fariam as coisas da maneira que eu as imagino não é fácil. Mas quero muito conseguir. Preciso constantemente de me concentrar mais e preciso de encontrar pessoas que possam ajudar-me com certas tarefas. Em relação ao Uganda, adorávamos poder comprar terrenos para construir uma escola, mas é mais fácil falar do que fazer. Mas tenho certeza que, com o tempo, tudo virá!

Quais são os teus melhores conselhos para dar a pessoas que queiram começar o seu projeto social ou simplesmente devolver à comunidade e fazer o bem?

Encontrem a vossa tribo, a tribo certa! Sempre que estive cercada por pessoas com uma mentalidade semelhante à minha, que me apoiaram de muitas maneiras, eu cresci muito mais! Além disso, tenham uma mentalidade aberta! É difícil escrever um plano de negócios de 5 anos num mundo que está em constante mudança! Sejam flexíveis e abertos e adaptem-se, sempre que possível.

Se pudesses mudar 3 coisas no mundo, o que mudarias?

Encorajaria todas as pessoas a amarem o próximo e pararem de odiar. Encorajaria os líderes dos países a quererem o melhor para o seu povo, e as pessoas deviam poder decidir livremente em que país gostariam de viver, de acordo com as suas regras. Acabaria com a poluição do planeta e do meio ambiente. Impediria as pessoas de passar fome e sofrer de doenças para as quais o tratamento existe. E mais um milhão de coisas, é difícil nomear apenas três.

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Sê a mudança que queres ver no mundo!

 

Stella Airoldi entrevistada por Raquel Comprido (Right Buddy)

Leia esta entrevista completa na nossa revista digital.

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