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Como fazer dos seus erros uma ponte para expandir o seu projeto

Todos os dias, durante a sua hora de almoço, Juliana sonha em despedir-se para começar o seu próprio negócio, à medida dos seus sonhos e ambições financeiras. Catarina olha para os números da sua empresa todas as sextas-feiras às 14h para planear a semana seguinte com ações estratégicas rumo aos objetivos do negócio.

Juliana e Catarina são dois exemplos de uma grande parte das mulheres aqui da nossa comunidade MAO, que certamente já se perguntaram “como posso começar um negócio?” ou “como posso fazer crescer o meu negócio?”

Nesta semana, vimos no grupo os 5 maiores erros das empreendedoras e, hoje, venho em nome da #MAOTeam Coach falar-lhes mais detalhadamente sobre eles. Fiquem até ao fim para saírem deste texto encorajadas para mais uma semana.

VOCÊ, A SUA COMUNIDADE E OS CLIENTES

Além das questões técnicas e pragmáticas fundamentais para se arrancar ou avançar com um projeto, existem alguns pontos ao nível da mentalidade empreendedora que merecem atenção, pois antecedem a atitude necessária para se empreender com sucesso.

Os erros que cometemos ao longo da jornada são etapas necessárias para nosso aprendizado e podem se converter em degraus na nossa escada evolutiva na direção dos nossos projetos de vida. Vejamos, então, como o falhanço nos pode ajudar:

1. Duvidar de si mesma

É normal que tenhamos medo diante dos desafios do empreendedorismo e que ponhamos em causa as nossas capacidades para enfrentá-los com êxito. Faz parte da nossa condição humana essa sensação de impotência diante da vida, que às vezes parece vir ter connosco como uma grande onda…

A nossa cultura tecnocrática nos condiciona a acreditar que temos de saber tudo e mais alguma coisa para nos sentirmos capazes de alcançar um objetivo. A boa notícia é que isso é muito mais uma crença do que uma verdade.

Claro que um certo grau de conhecimento ajuda, nomeadamente se for algo muito técnico. Entretanto, as nossas capacidades não residem apenas no nosso conhecimento. Antes, elas emanam de algo mais “primitivo”, que nos faz mobilizar recursos para aprender o que quer que seja.

Então, se em algum momento já se viu estagnada a acreditar que não tinha as competências necessárias para tirar os seus projetos da gaveta, pare imediatamente essa paralisia, tome uma dose de coragem e identifique o menor e mais simples passo possível de ser dado por você agora, nesse exato momento, e dê esse passo.

Tão simples quanto isso! A coragem até pode ser algo inspirado nas grandes obras de arte… E que bom que temos esses belos registos de um valor humano tão importante! Mas ela não é aprendida pela via intelectual/cognitiva. Não. A coragem constrói-se internamente, sucesso após sucesso, por mais modesto que seja, em cada pequenino passo. Caminhe!

2. Isolar-se e subestimar o trabalho em equipa

Nessa caminhada de trabalhadoras independentes, percebemos que somos uma espécie curiosa de profissional… Obstinadas, disruptivas, independentes. As ideias vêm ao de cima e já queremos avançar com aquilo exatamente do jeito que imaginamos e ai de quem vir com opiniões não solicitadas.

Conquanto essa característica seja mais ou menos como o sangue a correr nas veias da mulher empreendedora, a atitude de isolar-se traz duas consequências demasiado penosas para o sucesso do seu negócio:

a)      Sobrecarga: Sim, você é muito forte! Já aguentou tanta coisa, não é? Mas o seu corpo tem limites e a estafa, o stress, o burnout etc. chegarão se você continuar a insistir em fazer tudo sozinha.

b)      Custo dos erros: por mais que os erros sejam grandes fontes de aprendizagem, os erros custam – financeira e emocionalmente. Você não terá tempo para cometer todos eles por si mesma e ainda assim avançar com o seu negócio e prosperar.

Portanto, se você trabalha por conta própria ou tem um negócio e anda demasiado só, falsamente empoderada pela noção de “self made woman”, volte duas casas no jogo e junte-se a um grupo de empreendedor@s. Sugerimos fortemente a comunidade de Patrocinadoras, aqui das Mulheres à Obra.

Em equipa, você vai encontrar as parcerias estratégicas que vão aliviar a sua carga e deixá-la livre para focar naquilo que faz de melhor, para aprender com os erros de outras pessoas que também estão nessa jornada empreendedora há tanto quanto ou mais tempo que você e, porque ninguém é de ferro, para confraternizar também!

3. Desconhecer o mercado

O networking é importantíssimo não só para dinamizar os negócios, mas também para ter uma amostra significativa do mercado. Explico:

Ok, a inexperiência faz parte do processo e a mente de uma empreendedora é tão cheia de sonhos e ideias e novidades que por vezes criamos um produto ou serviço que tem um total de zero adesão e ficamos com aquela sensação de “ninguém-me-ama” e as doses de coragem que tomamos minutos atrás parecem nos sair pelos poros.

E aqui eu vou tocar num ponto sensível que talvez faça você querer ir embora desse texto. Mas eu lhe digo: persista! Vai lhe ajudar a construir aquela coragem que falei antes.

O mercado não quer saber de nós, mesmo. O mercado quer saber de soluções para os problemas, dores, necessidades, expetativas e sonhos das pessoas que lá estão.

Isso é muito árido: Nos darmos conta de que aquilo que temos de melhor para oferecer, aquela ideia que nos acalenta tanto o coração, os nossos talentos desde miúdas e as capacidades que lutamos para desenvolver podem não ser comercialmente atrativas para o público com o qual trabalhamos… Isso dá um gosto amargo, sim.

Mas não é o fim do mundo! Se empreender, para muitas de nós, é a oportunidade perfeita para entregarmos ao mundo algo da nossa essência através de um produto ou de um serviço, torná-los “sexy” para o mercado é uma questão muito mais de estratégia do que de alterar algo nessa essência.

Sendo assim, minhas amigas, pesquisem o mercado. Conheçam a sua audiência. Testem diversos públicos. Falem com diferentes pessoas. Expandam seus círculos. Falem com seus clientes satisfeitos e, principalmente, com os insatisfeitos. Se não percebem nada de marketing, peçam ajuda a quem perceba. Tudo, absolutamente tudo, é informação valiosa para expandir o seu negócio: tanto os elogios como as críticas.

O SEU NEGÓCIO NO MERCADO

4. Negligenciar o plano de negócios

Quando se fala em mercado, não estamos a pensar apenas nos clientes. A “mão invisível” é composta de vários dedos e apenas um deles representa os consumidores do nosso produto ou serviço. Há ainda que se levar em conta, pelo menos, os seguinte factores: a conjuntura político-econômica, os concorrentes, os fornecedores, a gestão e as finanças.

Vivemos um momento de neoliberalismo exacerbado, em que se apregoa aos quatro ventos que tudo e todos funcionamos exatamente como uma empresa, sob a mesma lógica pragmática e financista, sendo a realização pessoal meritocrática a versão “humana” do lucro.

Nada mais empobrecedor e violador as subjetividades, que são imensamente mais complexas que uma corporação! Essa mentalidade tem levado imensa gente a ter graves problemas de saúde – física e mental. O cenário é lastimável… Mas temos de estar conscientes das cartas sobre a mesa, até para podermos mudar o jogo:

a)      um sócio voraz chamado Estado, com tributos e regulamentações nem sempre favoráveis aos trabalhadores independentes e empreendedores;

b)      concorrer com grandes players, que detêm um aparato brutal para gerir todos os aspetos do negócio;

c)      depender de certos fornecedores demasiado agressivos que acabam por se tornar uma desvantagem competitiva ou até mesmo inviabilizam o negócio e

d)      precisar e gerir bem o dinheiro para começar, para continuar e até mesmo para encerrar uma atividade, se assim for o caso.

Não há volta a dar: juntamente com consciência de classe e engajamento cívico, o plano de negócios é o instrumento hábil a mapear os pontos fundamentais para criar um negócio sustentável, para escalar a sua produção e/ou aumentar o alcance do seu serviço nesse campo de forças onde estamos todos imersos.

Independentemente do tamanho do seu negócio ou do tipo de produto ou serviço que você põe no mercado, se ainda não tem um plano de negócios, inspire-se nesse modelo e busque em nossa comunidade as profissionais especializadas que a poderão ajudar a elaborar esse documento com todo o essencial para concretizar o seu projeto como deve ser! Avance!

5. Menosprezar apoio técnico – contabilistas, finanças, jurídico etc.

Com o seu plano de negócios em mãos, já saberá a quais especialistas recorrer para tratar dos assuntos jurídicos, fiscais, contábeis, financeiros, comerciais, laborais, publicitários, tecnológicos etc., que não têm nada a ver com o coração do seu negócio, com aquilo que você faz de melhor.

Voltando aos tópicos anteriores: já parou para pensar que a sua teimosia e resistência em contactar e contratar especialistas para fazer o trabalho de suporte ao cerne do seu negócio, pode estar a lhe custar não só o seu sucesso profissional, mas também a sua saúde?

Se o problema é dinheiro para contratar esses serviços, de certeza que, em comunidade, poderá encontrar boas opções: desde as parcerias ganha-ganha até as assistentes virtuais, profissionais especializadas em dar esse tipo de apoio para os pequenos e médios negócios (em alguns casos, até para os grandes negócios) a um custo muito mais accessível do que o da contratação de um colaborador.

CONCLUSÃO

Cometer erros nesse caminho do empreendedorismo é natural… Mas se nos dispomos a olhar para esses cinco erros com honestidade, frontalidade e humildade, podemos fazer deles o impulso necessário para acreditarmos cada vez mais no nosso potencial e para mobilizarmos recursos para vencer cada etapa do caminho! Vamos a isso?

A #MAOTeamCoach está aqui para vocês!

Contacto: teamcoach@mulheresaobra.pt

Renata Netto

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