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O Poder de pensar Negativo

Não, o título não está errado! Este artigo é, de facto, sobre pensar no negativo e não (só) no positivo e sobre como isso pode ser útil, tanto para o vosso negócio, como para a vida em geral. Vamos quebrar várias regras da comunicação, sendo a mais relevante “evitar linguagem negativa”.

Mas, chega de criar suspense. Vamos a isso?

Existe uma propensão social para enaltecer o pensamento positivo. As expressões “vai correr tudo bem”, “tudo se há-de resolver” e “a coisa vai ao sítio” são apenas alguns exemplos desta mentalidade de que pensar positivo resolverá todos os problemas ao longo da vida.

A questão é que este tipo de foco unilateral acaba por se tornar contraproducente, por vários motivos: dá azo a uma falta de preparação e precaução, pode levar a frustração numa equipa de trabalho e até a alguma pressão psicológica.

Vamos por partes:

Quando se começa a organizar qualquer coisa (um negócio, um evento ou um projecto de trabalho, por exemplo) é feito um plano inicial com todas as necessidades logísticas, financeiras, temporais e humanas. Esse plano deverá ser bem detalhado e permitir uma visualização de como será o produto final, ou seja, deveremos conseguir imaginar como queremos que esse negócio, evento ou projecto de trabalho corra.

É aqui que deverá entrar o pensamento negativo, através de duas palavras muito pequenas mas com repercussões enormes:

“E se?”

Estão a abrir um negócio? Boa ideia! E se não conseguirem angariar clientes?

Estão a planear um evento no exterior? Óptimo! E se chover?

Vão iniciar um projecto com um novo cliente e atribuíram essa conta a um empregado específico? Espetacular! E se esse empregado ficar doente e não puder trabalhar por uns tempos?

Quando estas questões surgem, é comum ouvir respostas como “não penses assim! Vai correr tudo bem, vais ver, pensa positivo! Se acontecer alguma coisa, logo se vê”, o que faz parte do problema e não da solução.

Quantos equipas têm membros que ficam ressentidos entre si, precisamente porque uma das partes se recusa a dar seguimento a esta conversa?

O que é necessário compreender é que o objectivo destas perguntas não é deitar o organizador ou equipa a cargo do empreendimento abaixo, nem tirar-lhes alento, mas sim dar-lhes as ferramentas necessárias para criarem planos alternativos e se adaptarem à mudança, caso esta seja necessária.

Estão a abrir um negócio? E se não conseguirem angariar clientes?

Investiremos na nossa estratégia de marketing e, se necessário, adaptamos a ideia inicial do negócio para um molde mais atractivo – Se ninguém quiser massagens nos pés, oferecemos massagens nas mãos.

Estão a planear um evento no exterior? E se chover? Temos um espaço coberto e material que podemos adaptar para passar o evento para o interior.

Vão iniciar um projecto com um novo cliente e atribuíram essa conta a um empregado específico? E se esse empregado ficar doente e não puder trabalhar por uns tempos? Temos um segundo empregado em backup, que não trabalha activamente no projecto, mas que é mantido a par dos desenvolvimentos do mesmo e está pronto a assumir a tarefa, caso seja necessário.

Ao colocarmos a questão “e se?” e tentarmos antever todos os cenários possíveis e imaginários nos quais as coisas possam correr mal, estamos simultaneamente à procura de soluções para esses cenários para que, quando algo corre mal, haja de imediato uma forma de erradicar o problema e garantir o mínimo impacto no resultado final. 

Quero com isto a dizer que é errado sermos optimistas e acreditarmos que conseguimos fazer tudo a que nos propomos? Claro que não!

É por isso que é necessário ainda fazer uma distinção muito importante: Pensar negativo e Ser negativo são duas coisas muito diferentes!

Quantas vezes já colocaram fizeram uma pergunta “e se?” a alguém e tiveram como resposta “Lá estás tu a ser negativo”?

Esta é uma situação comum, que exemplifica a pressão psicológica que o pensamento unicamente positivo pode criar. O facto de uma pessoa querer precaver-se para todas as situações, não faz dela menos positiva ou menos disposta a ajudar, pelo contrário!

Ser positivo é uma parte essencial de ser empreendedor.

Sem optimismo, não é possível arranjar as forças para lutar pelo nosso projecto e não desistir a meio caminho. Mas o foco exclusivo na esperança de que “vai correr tudo bem” pode levar à falta de preparação e a eventuais dificuldades caso ocorra algum imprevisto.

Não é possível impedir percalços ao longo do caminho, mas ao pensar negativo numa primeira instância e ao anteciparmos cenários que possam vir a acontecer, podemos planear e prepararmo-nos, para que então possamos de facto pensar positivo (e estar muito mais descansados ao fazê-lo).

Por isso, da próxima vez que alguém vos disser “És muito negativo”, a resposta é simples: “Não, sou prevenido”.

Raquel Margato

Made in Dreams

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