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Como chegar mais longe com a sua Escrita: o poder da Escrita Terapêutica

Neste artigo decidi olhar para a escrita não como arte ou instrumento profissional, mas como terapia.

Decidi partilhar consigo esse lado que muitos de nós já experimentámos na nossa vida, sem percebermos, talvez, o seu verdadeiro benefício, o seu poder.

Quem não teve já a necessidade de escrever um diário? De partilhar nas páginas secretas de um caderno, as suas agruras, medos, vitórias e derrotas, amores e desamores? Se ainda não o fez, deixo-lhe um conselho: experimente!

Escrever, traduzir através da expressão escrita e para leitura posterior as nossas emoções, ajuda-nos a dar um novo sentido às nossas vivências, a construir uma memória sobre o que já passou e a retirar daí aprendizagens futuras.

Verter os nossos sentimentos no papel ou teclá-los num documento Word, pode ajudar-nos a pôr os nossos pensamentos em perspetiva, a ultrapassar dificuldades, a fazer a paz connosco ou com os outros.

Quando conseguimos expressar por escrito o que sentimos, dá-se um reconhecimento do que se passa no nosso interior. Com esse reconhecimento vem a clareza e a partir daí, tudo pode parecer e, tornar-se quem sabe, mais simples, mais suportável. Podemos até concluir que estávamos a exagerar e que não nos reconhecemos mais naqueles sentimentos, naqueles pensamentos indesejados tão recorrentes e avançamos, viramos a página.

Podemos fazê-lo por nossa iniciativa, mas há profissionais de saúde que utilizam a escrita terapêutica no seu sentido pleno. Nestes casos, a escrita assume o verdadeiro papel de ferramenta terapêutica como forma de autoajuda, usada só ou em combinação com outras técnicas terapêuticas. A escrita transforma-se no instrumento catalisador para deitar cá para fora tudo o que nos magoa, perturba, sem medos, sem filtros ou receio do julgamento do outro.

“O segredo da escrita terapêutica é permitir-nos compreender o que estamos vivenciando, integrando o evento perturbador nas nossas experiências de vida. Quando escrevemos, não apenas assimilamos a experiência, mas também a privamos da sua impressão negativa e alcançamos uma perspetiva mais objetiva e racional. Portanto, escrever expressando nossas emoções ajuda-nos a desenvolver uma atitude mais resiliente”, afirma Rosario Linares, psicóloga, que também propõe o exercício abaixo:

Exercício terapêutico de escrita para lidar com problemas emocionais

Se está preocupado com um problema que o está a transtornar, recomendo colocar em prática a escrita terapêutica . Para tal, proponho estes exercícios de cerca de 20 minutos, durante cinco dias. 

Concentre-se na situação que o(a) está afetando.

Lembre-se: este é um exercício de libertação emocional, não uma obra literária. Por ora, não se preocupe com os erros de português, as questões gramaticais ou a construção das frases. Escreva livremente e de forma natural sobre o que sente.

Primeiro exercícioo objetivo é simplesmente escrever sobre os seus pensamentos e sentimentos mais íntimos, relacionados com a situação que o(a) está a perturbar. Explore o facto em questão e escreva sobre como isso o afetou.

Ao progredir na escrita pode começar a ligar esse facto com outros aspetos da sua vida. Pergunte a si mesmo como isso está ligado à sua infância, aos seus pais ou a pessoas que tiveram um papel importante na sua vida.

Deve perguntar-se como esse problema está relacionado com a sua vida atual e qual o papel que ele pode desempenhar no seu futuro. A ideia é que procure ligações entre esse evento e o seu passado. Também deve encontrar uma relação entre isso e a pessoa em que se tornou e a pessoa que gostaria de ser no futuro.

Segundo exercício: no segundo dia deve aprofundar ainda mais os sentimentos e pensamentos, para avaliar o efeito que eles tiveram nas diferentes esferas da sua vida.

Valorize como a sua reação a esse evento o afetou e tente determinar até que ponto teve responsabilidade por tudo o que aconteceu. No entanto, tenha presente que não é uma questão de iniciar uma caça às bruxas em busca de culpados, mas apenas de entender o seu nível de responsabilidade, de modo a que no futuro não cometa os mesmos erros.

Terceiro exercício: chegou a hora de começar a olhar em frente. 

Nesses 20 minutos de escrita, deve explorar a situação de diferentes pontos de vista. 

Tente ter uma perspetiva mais racional, como se fosse um observador externo. 

Pode tentar colocar-se no lugar de pessoas diferentes e pensar como elas veriam a situação que o preocupa. 

Também é importante que escreva sobre os pontos que o tornam mais vulnerável à adversidade, para que aprenda a se conhecer melhor.

Quarto exercício: no quarto dia deve refletir sobre tudo que escreveu. 

Reveja os seus apontamentos e avalie se há problemas que ignorou, que deixou por referir. Reflita sobre o que aprendeu e ganhou com essa experiência. Escreva isso. Também é importante que pense como esse evento determinou o seu comportamento e como isso pode ajudá-lo no futuro.

Quinto exercício: no último dia termina escrevendo uma história, mesmo que seja curta, como se fosse uma história na qual inclui a situação que experimentou. 

Desta forma, será capaz de dar um sentido a todos os aspetos relacionados à experiência dolorosa e isso perderá o seu impacto emocional.

O que deve ter em consideração ao praticar? 

Para aproveitar ao máximo esta técnica considere estes cinco princípios básicos:

  1. Escreva sobre os fatos negativos que o incomodam e que não quer contar a mais ninguém.
  2. Identifique adequadamente as emoções que experimenta, tanto negativas quanto positivas.
  3. Construa uma história coerente e significativa que inclua a situação que o afeta.
  4. Narrar os fatos de diferentes perspetivas, usando os diferentes pronomes, por forma a cobrir diferentes pontos de vista.
  5. Não censure nenhum pensamento. É importante que escreva com sinceridade, mas, ao mesmo tempo, tente não usar o exercício para protestar ou arrepender-se.

Deixo-lhe então este desafio: experimente o poder da escrita terapêutica e chegue mais longe, dentro de si, apenas com as suas palavras partilhadas num caderno ou ecrã.

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.

– Fernando Pessoa

Fonte: https://www.elpradopsicologos.es/blog/escritura-terapeutica-afrontar-problemas/

Analita Alves dos Santos

O Prazer da Escrita

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