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Segredos do Networking Estratégico

Networking

Quando definimos uma estratégia de networking, pressupõe-se que temos um objetivo claro e bem definido. No âmbito do empreendedorismo, este objetivo prende-se essencialmente com a angariação de clientes e parceiros, o acesso a novos mercados e o aumento das vendas e da faturação.

No entanto, o termo networking é muito generalista e encerra realidades muito diferentes, que por sua vez pressupõem estratégias de ação diferenciadas. Para atingir os mesmos objetivos podemos seguir por rumos muito distintos, de acordo com as carateristicas do ecossistema em que nos movemos e, também, considerando os nossos próprios valores e propósitos.

Sobretudo, há duas abordagens muito distintas que interessa identificar e analisar em maior pormenor, o networking exclusivo e o networking inclusivo.

Networking Exclusivo

Neste tipo de networking, vamos procurar conectar-nos especificamente com parceiros estratégicos que detêm recursos essenciais e nos podem facilitar o acesso a oportunidades que não estão ao dispor de todos.

São indivíduos que se situam no topo da pirâmide social, que ocupam cargos de poder político ou económico em estruturas hierárquicas e centralizadas que possuem um grande peso decisório e executivo.

Para chegarmos a estes indivíduos, é necessário penetrar em redes de sociabilidade altamente exclusivas e por vezes secretas, que apenas são do conhecimento dos seus próprios membros.

Este é um trabalho árduo, que exige um grande e prolongado esforço de relacionamento com indivíduos chave que possuem uma elevada centralidade de intermediação, ou seja, intermediários estratégicos que dispõem de ligações importantes e nos podem abrir gradualmente as portas deste mundo aliciante e pleno de oportunidades.

Networking Inclusivo

Neste tipo de networking, vamos sobretudo procurar potenciar a nossa Centralidade de Grau ou sociabilidade, ou seja, o número de relacionamentos que detemos. A tendência mais natural neste tipo de estratégia é a homofilia, entendida como a tendência que temos para gravitar na direção de pessoas semelhantes a nós.

No entanto, se estivermos conscientes do elevado valor da diversidade enquanto recurso que podemos colocar ao serviço dos nossos negócios, podemos contrariar esta tendência e procurar estabelecer conexões com pessoas diferentes de nós, que naturalmente possuem informações, experiências e oportunidades distintas das nossas e nos podem abrir horizontes.

Aqui, vamos promover as ligações fracas com pessoas que conhecemos mal e com quem temos pouco em comum, mas que podem contribuir grandemente para o nosso sucesso. Ao fazer isto, vamos ser empreendedoras na rede, na medida em que vamos estabelecer contacto entre redes que anteriormente não estavam conectadas, preenchendo assim buracos estruturais.

Que tipo de networking escolher

Na verdade, não precisamos de fazer uma escolha, pois podemos facilmente integrar ambos os tipos de networking na nossa estratégia. Sobretudo, interessa conhecer as características da sociedade em que vivemos e dos ecossistemas empreendedores em que nos movemos, para selecionar a abordagem mais adequada em cada caso.

O cientista político Larry Diamond distingue entre comunidades cívicas e comunidades não cívicas. As comunidades cívicas são pouco hierarquizadas, democráticas e abertas, favorecendo a livre circulação de recursos e oportunidades. Neste tipo de comunidade, o networking inclusivo é o mais adequado.

Pelo contrário, as comunidades não cívicas são muito hierarquizadas. Os poucos indivíduos no topo da pirâmide do poder e da influência têm acesso privilegiado aos recursos e oportunidades, enquanto a generalidade dos indivíduos se encontra excluída deste acesso. Nestas sociedades, o mais indicado é o networking exclusivo.

Então, em que ficamos?

Na realidade, as sociedades incluem traços de uma e outra comunidade, sendo que em sociedades mais equitativas e com uma melhor qualidade democrática, como no caso dos países nórdicos, prevalece a comunidade cívica. Pelo contrário, a comunidade não cívica prevalece em regimes autoritários e democracias frágeis e de pouca qualidade, dado que não favorece a participação cívica e a responsabilização democrática.

Em Portugal, temos um pouco de cada uma destas comunidades. Resta-nos por isso reconhecer esta realidade e definir uma estratégia que se adeqúe aos objetivos que procuramos atingir e aos nossos valores pessoais.

No entanto, é preciso ter em conta que as comunidades cívicas, onde impera o networking inclusivo, para além de serem mais benéficas para a qualidade democrática, favorecem a solidariedade, a criatividade e a inovação. Se conseguirmos ver para além dos nossos objetivos individuais de negócio e considerarmos o impacto que queremos ter na sociedade em que vivemos, então estes são fatores a ponderar seriamente.

Imagem de Bob Dmyt por Pixabay

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