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No sofá com a empreendedora Dulce Guarda – Back to Basics

P. – Qual a tua atividade profissional?

Comecei a minha vida profissional no mercado das agências de publicidade, onde desenvolvi a minha vertente de marketing, nomeadamente o marketing digital e redes sociais. Actualmente estou envolvida em duas empresas como fundadora, onde sou responsável pela área de Marketing e Comunicação, bem como apoio às áreas criativas e de negócio.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Comecei a minha vida profissional por trabalhar em agências de publicidade. Sempre gostei de áreas criativas e a publicidade deu-me hipótese de conhecer vários mercados e principalmente conhecer o consumidor. Mas o bichinho de criar o meu próprio negócio estava cá dentro. O meu pai trabalhava por conta própria, a minha irmã também teve negócios próprios, por isso sempre tive em meu redor pessoas empreendedoras (se é que assim se podem chamar, já que este conceito é bastante recente).

Quando surgiu, em 2013, a hipótese de entrar na criação de um projecto de raiz, fui tentada a arriscar. E, assim, começou com um projecto na área das artes, onde entrei para a área criativa de escrita de conteúdos.

Este primeiro negócio, como muitos que começam, não vingou, mas deixou vontade de continuar. E, mais tarde, também com muito incentivo do meu noivo e de amigas, lancei o meu projecto a solo, uma marca de calçado nacional, a 7Hills Shoes (marca que está neste momento em reestruturação). Mais tarde, e por ter desenvolvido muitas capacidades extras para as quais tive formação, comecei a desenvolver a minha aptidão por trabalhar o couro.

Como resultado, tenho vindo apostar no desenvolvimento de uma marca de acessórios a Back to Basics. Mais recentemente, e como co-fundadora, comecei um projecto na área do desporto, a BBox Sports, uma startup tecnológica/produto cujo foco é o futebol e a sua comunidade.

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

Comecei o meu percurso empreendedor quando, em 2013, fui convidada para fazer parte da criação de uma startup tecnológica na área das artes. Fui convidada para desenvolver todo o conteúdo editorial desse projecto e a partir daí acabei por me envolver no mundo do empreendedorismo, estando presente em programas de aceleração dentro e fora de Portugal (Grécia, USA, Holanda).

Desde então, e ao longo destes 7 anos, o empreendedorismo já me levou a visitar muitos países que de outra forma não conheceria tão cedo. Posso dizer que sou muito afortunada por ter conhecido pessoas tão interessantes pelo caminho. Desde investidores em Silicon Valley, a empreendedores na Polónia, Qatar, Reino Unido, a conhecer fornecedores do outro lado do mundo.

Também foi por estar envolvida como empreendedora que hoje tenho cursos feitos no MIT em Boston, criei projectos que me levaram a viver em Atenas, São Francisco, Londres e evolui muito como pessoa e como profissional.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Dificuldades são meros desafios que nos tornam mais fortes e mais conscientes das nossas capacidades. Houveram momentos em que me senti sozinha a tentar tomar as rédeas de todos os “departamentos” do negócio, alturas em que não consegui avançar mais sem procurar ajuda, outras em que percebi que Portugal é, por vezes, pequeno demais para os nossos sonhos.

Mas todos estes desafios foram contornados rodeando-me de pessoas que podiam acrescentar mais. Rodeei-me de outros empreendedores, rodeei-me de pessoas mais experientes, procurei fazer cursos que desenvolveram outras capacidades que tinha consciência que tinha de as melhorar.

O mais importante é saberemos que não temos de fazer tudo sozinhos, devemos saber pedir ajuda, delegar tarefas e, acima de tudo, acreditar no nosso projecto e fazer tudo o que está ao nosso alcance para ultrapassar esses desafios e vencer.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Em primeiro lugar destaco a valorização. Enquanto que antes eu, apesar de dar o meu melhor e adquirir capacidades para fazer um bom trabalho, não era recompensada pelo mesmo (nem mesmo com um simples “bom trabalho” ou “obrigado”), neste momento consigo ver valor em cada acção minha e tenho pessoas que valorizam o meu trabalho.

Depois o facto de estar a criar algo meu, só isso é uma diferença tremenda. Afinal, estou a criar um negócio em que acredito e por isso, desde manhã à noite, tenho um sorriso no rosto e sinto-me bem comigo própria, realizada tanto a nível pessoal como profissional.

Existem muitas diferenças, mas destaco o facto de poder ajudar outros com a experiência que tenho vindo a angariar. É algo que me apraz e é sem dúvida a cereja no topo do bolo, poder ajudar de alguma forma outros que querem agora começar.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Não basta querer ser empreendedor. Temos de saber afastar-nos o suficiente para analisar o mercado, perceber a concorrência, quais os nossos pontos fortes e fracos. Há que saber reconhecer quando precisamos de ajuda, quando algo não está a resultar ou precisa de mudanças e principalmente quando está na hora de parar.

Porque nem todos os projectos vingam. E isso não tem mal nenhum. Um bom empreendedor aprende sempre, pega nos erros ou dificuldades e tem a capacidade de os transformar. Um bom empreendedor sabe criar algo novo e renascer. Sempre.

 

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