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No sofá com a Empreendedora Joana Glória – Eat at a Local’s

P. Qual a tua actividade profissional?

Quando me perguntam qual a minha profissão confesso que fico meio sem saber o que dizer, pois faço imensa coisa, então acabo por responder que sou “Empreendedora”. Estou quase sempre envolvida em diversos projectos ao mesmo tempo e neste preciso momento, estes são a minha prioridade:

– “Eat at a Local’s”, uma plataforma digital que foi lançada em Março de 2019 e que tem por finalidade unir convidados de várias culturas à mesa e proporcionar, através dos nossos anfitriões, experiências únicas de degustação da autêntica gastronomia portuguesa.

Gastronomia e acolhimento são sem dúvida alguma os melhores cartões de visita que o nosso país tem para oferecer. E como a mesa ainda é a melhor rede social que corre nos dias de hoje, os Anfitriões, por nós certificados, irão certamente proporcionar a todos os convidados uma experiência gastronómica única em ambiente autêntico e íntimo. Os convidados terão ainda a oportunidade de aprender a cozinhar pratos tradicionais, partilhar experiências com os anfitriões e levar para casa uma história para contar.

– Durante o desenvolvimento da plataforma fui me especializando em várias áreas de Marketing Digital, investi bastante na minha marca pessoal e em networking, e na primavera de 2019 surgiu também a oportunidade de começar a partilhar o meu conhecimento com outros empreendedores e empresários através de Workshops de Instagram para negócios. Mais recentemente, em conjunto com mais 2 colegas, Workshops de Introdução à Transição de Carreira, Empreendedorismo e Public Speaking.

– Durante a realização destes Workshops que tenho vindo a dar, os alunos têm me pedido mais módulos para aprofundar ainda mais o conhecimento e nesse sentido, estou neste preciso momento a começar a montar um curso online sobre Empreendedorismo com diversos temas práticos que vão ser bastante úteis.

P. Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Sempre, desde muito nova, gostei de colocar as minhas ideias em prática. Quando me licenciei em Gestão Hoteleira e fui trabalhar para uma recepção, logo comecei a ter ideias para implementar e ajudar na eficácia do trabalho de toda a equipa e foi aí que comecei a sentir-me um pouco frustrada por “não me ouvirem”. Não demorou muito tempo até me despedir e dar início à minha vida de empreendedora.

P. Como começaste o teu percurso empreendedor?

Como dizia acima, este meu percurso de empreendedora começou com a construção de um website de aluguer de casas de férias onde tratava de toda a promoção, respondia aos emails, fazia os check-in’s e ficava disponível para qualquer apoio que os clientes precisassem. Entretanto, continuei a fazer os alugueres mas voltei também a trabalhar num outro hotel em backoffice, reservas e contratação. Fiquei lá o tempo que tinha de ficar, e um dia, no verão de 2013, decidi que estava na hora de deixar de alugar as casas de outras pessoas e ter o meu próprio alojamento! Em Maio de 2014 abri a minha primeira Guesthouse e em Julho desse mesmo ano a segunda Guesthouse. Fiquei com este negócio até finais de Outubro de 2017.

P. Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Na abertura das Guesthouses, iniciar com pouco capital fez com que eu de inicio tivesse que fazer tudo, desde limpezas, a check-in’s às 4 da manhã, e às 8h da manhã seguinte já estar na rua para comprar pão fresco para os meus hóspedes. Talvez esta tenha sido a parte mais complicada até começar a ter mais disponibilidade financeira para poder contratar pessoas.

Ao início, lidar com comentários menos positivos também foi complicado, mas aos poucos fui me apercebendo que há pessoas que simplesmente não estão bem com elas próprias e assim que as identificava desafiava-me a mim própria em conquistar esses hóspedes. Uns consegui, outros não, e estava tudo bem. Outra dificuldade de gerir neste negócio é quando as pessoas não nos informam as horas de chegada, então muitos dos dias ficamos presos à espera das pessoas enquanto podíamos estar a fazer outras coisas.

Aos que ambicionam um dia ter um alojamento, tenham sempre em mente que, à semelhança de um restaurante, acaba por ser uma “prisão”. É necessário estar sempre disponível por telefone e ONLINE. E, de facto, este foi um dos factores que me fez começar a pensar em ter um projecto online que me permitisse trabalhar a partir de qualquer parte do mundo e que não me obrigasse a estar presente fisicamente em parte alguma. Foi aí que surgiu o “Eat at a Local’s”.

No Eat at a Local’s os desafios também têm sido alguns,mas que temos contornado e resolvido os problemas que vão aparecendo com calma e sabedoria. Mas posso partilhar aqui convosco que, devido à minha excessiva entrega a este projecto, ao meu excessivo envolvimento emocional, o meu maior sucesso até agora foi ter recuperado de um esgotamento sem qualquer tipo de medicação.

Chega a um ponto que a pessoa tem de saber parar e ouvir o corpo e pensar que o mundo não vai acabar se o projecto ficar em stand-by por 3 meses, e foi isso que aconteceu. Retomei com muita calma o projecto, com a ida ao programa de televisão do “Você na TV”, da TVI, e desde então tento não me envolver tanto e ir com mais calma pois tudo é um processo. Uns vão mais depressa, outros mais devagar e eu escolhi ir mais devagar e respeitar os sinais do meu corpo.

Entretanto, na minha primeira ida à televisão ao programa “Faz Sentido” da SIC, senti que não estava preparada para comunicar em público e em especial nas câmaras, e foi nessa altura que surgiram os Workshops. Logo me apercebi que uma das maneiras de combater essa “menos boa” forma de comunicação era desafiar-me a falar mais vezes em público. E foi isso que aconteceu! Tenho esta mania de escolher o caminho que mais me mete medo ou mais me desafia, é isto que me faz vibrar! A minha comunicação tem melhorado e continuo a investir bastante nesta área.

P. Comparando a tua actual actividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Para mim, a  diferença entre trabalhar por conta própria e por conta de outrem é sem duvida alguma a liberdade de gerir o meu tempo como eu quero, bem como a liberdade de tomar as minhas próprias decisões e colocar as minhas ideias em prática.

P. Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Sem dúvida alguma investir na criação de uma marca pessoal, em formações, em networking e comunicação.

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