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No sofá com a empreendedora Teresa Henriques – Cinderela Shoes

P. – Qual a tua atividade profissional?

Neste momento, estou inteiramente dedicada à Cinderela Shoes, loja online dedicada exclusivamente a calçado de senhora tamanhos pequenos, 32 ao 35. Este projecto exige que me aplique a várias frentes, pelo que faço de tudo, sou gestora, fotógrafa, comercial, enfim, tudo aquilo que possam imaginar.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Desde que me lembro; este não é o meu primeiro projecto, tive outros ao longo da vida, mas é este que me identifica, os outros simplesmente aconteceram. Este é um projecto de vida, um sonho que consegui realizar.

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

Começou em 2001, tive a hipótese de ficar com um negócio em sociedade com uma colega e não pensei duas vezes, sempre fui de arriscar. Em 2009, também com um sócio, iniciei uma empresa na área das Tecnologias de Informação. Todo o meu percurso foi uma aprendizagem em diversas áreas que me prepararam para o projecto actual.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Foram muitas as dificuldades, não tinha experiência com comércio electrónico nem com redes sociais, fiz cursos online e muita pesquisa. A maior dificuldade foi encontrar uma fábrica que estivesse disposta a produzir calçado tamanhos pequenos e em quantidades reduzidas, mas com tempo e muita persistência tudo se consegue!

Outro problema quando se trabalha com nichos de mercado é conseguir fazer chegar a informação ao publico alvo e essa é uma dificuldade com que ainda me deparo. Leva o seu tempo, mesmo recorrendo às redes sociais, motores de busca e comunicação social. O melhor é o “passa palavra” de clientes satisfeitas, esse é o melhor marketing!

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Sempre trabalhei em projectos conjuntos, com um sócio. Achei que tinha chegado a hora de me dedicar a algo só meu, algo que fizesse sentido. A ideia da Cinderela Shoes surgiu naturalmente porque já era algo que queria há muitos anos, quer por necessidade própria, já que calço 32, quer porque sentia a necessidade de fazer a diferença e criar uma solução para mulheres como eu.

No passado, tinha idealizado uma loja física, adaptei à nova realidade visto que para um nicho de mercado fazia mais sentido uma loja online, para assim chegar a mais mulheres. Este projecto, com todas as dificuldades e sacrifícios que exige, faz-me sentir feliz e concretizada, há sempre uma cliente a expressar a sua gratidão e felicidade por existirmos e isso vale tudo, faz com que tudo valha a pena.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Isto de querer ter um negócio próprio tem muito que se lhe diga. As pessoas, na maioria, não pensam bem no que têm pela frente antes de iniciar. Há que estar completamente ciente de que vão iniciar um trajecto complicado, que vai exigir muitos sacrifícios, anos de dedicação. Engane-se quem acha que o negócio começa a facturar e a auto-sustentar-se em poucos meses, raro é o negócio em que isso acontece.

Antes de iniciar, convém dissecar muito bem o projecto, tudo o que este implica, todos os passos, todas as despesas implicadas. Um negócio bem estruturado só a partir do 3º ano começa a dar lucro, é preciso estar preparada financeiramente para isto. Quem não têm uma estrutura que o permita, aconselho a manter um emprego em paralelo para se poder sustentar.

Estudar muito bem a concorrência é essencial; se querem vingar têm de se diferenciar no mercado, têm de ser melhores, mais activas e “agressivas”. Conheçam bem o vosso público alvo, o que procuram e qual a melhor forma de proporcionar uma oferta que supere todas as outras.

Acima de tudo estejam preparadas para ultrapassar todos os obstáculos que vão surgir, porque isto é uma certeza, vão surgir muitos. Se acreditam no vosso projecto não desistam, sempre com a cabeça no lugar e as ideias certas vai com certeza correr bem. Caso corra mal saibam desistir, pode parecer que não, mas desistir é mais difícil que iniciar, há que saber quando está na hora de lutar ou rendermo-nos à evidência de um negócio fracassado.

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