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No sofá com a Empreendedora Ana Damião

P. – Qual a tua atividade profissional?

Sou Psicoterapeuta há 10 anos. Depois de um longo percurso de auto-desenvolvimento, onde passei por muitas atividades e formações com o objectivo de me conhecer e desenvolver como ser humano (das quais destaco a psicoterapia), resolvi dar um salto de fé, mudar de vida e abrir-me para o desconhecido. 6 meses depois, sem ter planeado, iniciei uma formação em Psicoterapia Corporal que me abriu a porta para uma nova vida e desde então o caminho tem sido uma grande aventura com muitas emoções fortes.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

O “chamamento” para o empreendedorismo surgiu num momento de grande ruptura com o mundo dos trabalhadores por conta de outrem. De uma forma ainda pouco consciente, quando disse ‘não’ a esse mundo, estava a dizer sim ao meu lado de empreendedora. Nesse momento ainda não fazia ideia de como iria operar esta grande mudança de vida e em que área iria realizar-me profissionalmente. Só sabia que sonhava trabalhar com pessoas e não com máquinas (leia-se computadores), como fiz durante 13 anos da minha vida profissional.

Eu costumo dizer que tenho uma veia para o negócio e que vem de família. De uma forma ou de outra, desde muito jovem que sentia o impulso de ter um pequeno negócio e cheguei a fazer formações de Franchising para tentar que o meu caminho se mostrasse em alguma área de interesse.

No entanto, foi quando dei o salto de fé e deixei o emprego seguro e bem remunerado que essa minha veia deu frutos e me coloquei no caminho de ser uma trabalhadora independente. Que melhor área para ser empreendedora, senão aquela através da qual me transformei, me tornei uma pessoa mais consciente, com capacidade de fazer escolhas melhores para a minha vida e para a qual sentia uma habilidade natural. E assim, iniciei o longo caminho de me tornar Psicoterapeuta.

P. – Como começaste o teu percurso empreendedor?

No meu percurso como empreendedora comecei por fazer uma formação de 4 anos numa área completamente nova. Foi a minha formação em Psicoterapia Corporal. Tive que voltar à escola e fazer tudo de novo. Foi uma experiência de grande crescimento,  transformação e principalmente de reconstrução de mim e da minha identidade, um processo que se prolonga para além destes 4 anos de formação.

Mas foi esta formação que me deu a terra firme e segura para poder voar para novas paragens com confiança, mas também com muita humildade e incertezas. Ao efetuar este voo para novas paragens fui adquirindo pelo caminho outras ferramentas terapêuticas, entre as quais destaco o Desenho que Cura e a Terapia de Vidas Passadas, ambas com enorme potencial de cura do nosso material inconsciente.

Paralelamente, a estas formações na áreas da Psicoterapia surgiu na minha vida a possibilidade de dar forma a um gosto que tenho que é o artesanato, o qual considero extremamente terapêutico. Então, uma das minhas manifestações como empreendedora, é ser artesã fazendo fadas em lã mágica e dando Workshops.

Como Psicoterapeuta, através da minha experiência em clínica privada, tenho observado que é de extrema importância que cada um de nós encontre a sua área de criatividade e todos temos uma, sem exceção. Eu costumo dizer que é uma das formas de irmos de encontro à nossa identidade e por consequência à nossa auto-estima verdadeira.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

As dificuldades que encontrei são as mais comuns de quem se desvincula do sistema. Começando pela questão mais essencial de quem sou eu nesta nova atividade. Quer queiramos quer não está muito intrincado na sociedade, o facto de sermos o que fazemos. E na maioria dos casos isto não corresponde à verdade, devido à não identificação com o que fazemos.

Quando passamos a fazer algo que está em consonância com a nossa alma, como culminar de um processo de transformação interna, então aquilo que fazemos passa a fazer parte de quem somos e passamos a ter uma nova identidade manifestada que, por muito que já existisse em potencial dentro de nós, no plano do sonho, ao ser colocada em prática, trás consigo a necessidade de ajustes relacionados essencialmente, com a confiança em nós próprios de que somos mesmo o que estamos a fazer.

Para além desta questão mais essencial, depois vêm todas as outras de cariz mais prático, disciplina, sustentabilidade, reconhecimento e valorização do nosso trabalho. Ultrapassar estas dificuldades, foi sendo um processo de confiança e fé em mim e no que mais nutre a minha alma.

Neste processo, foi de grande ajuda ter pessoas ao meu lado que estavam a fazer o mesmo percurso que eu ou que já tinham feito, com quem foi possível partilhar as dúvidas e inseguranças e de quem foi possível receber apoio. Por isso, acho de grande mais-valia o trabalho que se faz no grupo das Mulheres à Obra, porque permite criar e manter uma rede de grande apoio.

Hoje em dia, sinto-me uma empreendedora numa área em que ainda é estranho sermos vistas como empreendedoras e pensar-se nestas profissões como um negócio. Desta forma, penso que seja necessário dar mais visibilidade a estas áreas, mas uma visibilidade que seja acompanhada de apoio à empreendedora para que estruture o seu negócio de forma a passar uma imagem de seriedade, qualidade e enraizamento. Daí o desafio que me coloquei neste momento de criar uma estrutura, vamos dizer ‘mais empresarial’, ou seja, dar um ar mais formal ao meu trabalho, dando-lhe mais visibilidade também.

Estou a pensar em criar uma marca e um site, para poder aparecer nas redes sociais de uma forma mais estruturada, passando uma imagem que transmita credibilidade, coerência, integridade e essencialmente, verdade. Porque quer queiramos ou não, esse tipo de atividades sofrem de alguma descredibilização pelo grande público devido à quantidade de oferta que há atualmente, nas áreas terapêuticas e também há qualidade/experiência que se encontra nos profissionais.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

É bastante difícil comparar, porque são mundos diferentes. No anterior eu posso dizer que trabalhava. Na minha atividade atual eu posso dizer que Sou. Ou seja, a diferença principal, é o sentir-me identificada com o que faço.

Outras diferenças que considero muito importantes, são a auto-gestão e não uma gestão que nos é imposta de fora, a possibilidade de dar luz à nossa criatividade por oposição a procedimentos de trabalho pré-definidos e por fim, a sensação de maior responsabilidade pela co-criação do nosso próprio negócio/sucesso, por oposição, a uma grande desmotivação e até desresponsabilização no trabalho por contra de outrem.

Sem dúvida que ser empreendedora, apela à consciência de quem somos e à força interior para o manifestarmos, por oposição a um certo alheamento de nós próprias, no trabalho por conta de outrem.

Com todas as responsabilidades e desafios inerentes, ser empreendedora numa área que respeita o apelo da nossa alma, faz parte de um percurso de auto-desenvolvimento, de resgate de quem somos. Isto não quer dizer que não seja possível, no trabalho por conta de outrem, haver uma identificação de alma. Claramente, isso tem a ver com o percurso individual de cada uma de nós.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Algo que considero essencial é mantermo-nos sempre em contacto com o impulso inicial e com o que o motivou. Este contacto vai servir-nos de âncora para os momentos mais desafiantes. Depois é preciso ter os pés na terra, porque ter uma ideia ou sonhar com fazer algo de que gostemos, vem do plano da imaginação, do mental, de seguida é preciso trazer esse sonho à manifestação, e para isso tem que se olhar aos aspectos práticos, planear, fazer contas, perceber se precisamos de formação, de pessoas que nos acompanhem, etc.

E por fim, saber muito bem quem somos. Que características temos que são recursos para a manifestação do sonho e as são desafios ao nosso crescimento. A dica final, é que não desistam dos vossos sonhos.

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