Empreendedorismo Artesãos romenos em networking com empreendedoras criativas portuguesas Publicado em 13 de Julho, 2026 O empreendedorismo criativo vive hoje um dos seus maiores desafios: como preservar a autenticidade das tradições artesanais sem perder relevância num mercado cada vez mais digital. Foi precisamente para refletir sobre esta questão que o projeto europeu Erasmus+ Skillful AID – Empowering Good Practices related to Creative Entrepreneurship and Sustainable Microbusiness Environment trouxe a Portugal dois artesãos romenos cuja experiência demonstra que tradição e inovação podem caminhar lado a lado. Durante a ação internacional realizada em Estremoz, empreendedoras, artesãs e profissionais criativos portugueses tiveram oportunidade de conhecer de perto as histórias inspiradoras de Theodor Moise Drăghici, ceramista de Rupea, e Irina Apan, artesã têxtil da Transilvânia. Apesar de trabalharem em áreas muito diferentes, ambos partilham uma convicção: preservar o património cultural não significa permanecer preso ao passado. Theodor Moise Drăghici: transformar uma paixão de infância num negócio sustentável A história de Theodor começa, como tantas outras, na infância. Fascinado pelo barro desde muito novo, foi desenvolvendo a sua técnica até criar o próprio atelier de cerâmica em Rupea, no coração da Roménia. Hoje produz peças totalmente artesanais, inspiradas nas tradições locais, mas encontrou nas ferramentas digitais uma forma de dar nova vida ao seu trabalho. As redes sociais permitiram-lhe mostrar o processo de criação das peças, aproximar-se dos clientes e chegar muito além da sua região. Em vez de competir apenas pelo preço, passou a competir pela autenticidade, pela história e pelo valor cultural das suas criações. Durante a sua visita a Portugal, Theodor partilhou com os participantes que a transformação digital não implica abandonar as técnicas tradicionais. Pelo contrário, pode ser precisamente o instrumento que garante a sua sobrevivência económica. Irina Apan: tradição têxtil reinventada para o século XXI Também Irina Apan encontrou na inovação uma forma de proteger a tradição. Especializada em técnicas têxteis tradicionais da Transilvânia, desenvolveu um micro-negócio criativo (pintura de ovos) onde combina métodos ancestrais com uma visão contemporânea de design e comunicação. Ao longo dos últimos anos, aprendeu que um bom produto artesanal, por si só, já não basta. É necessário saber contar a história por detrás de cada criação, construir uma identidade de marca consistente e utilizar os meios digitais para chegar a novos públicos. Foi precisamente essa experiência que trouxe a Portugal, demonstrando como pequenas empresas criativas podem crescer sem perder a sua identidade cultural. Muito mais do que uma troca de experiências A presença destes dois artesãos integrou-se numa das componentes mais relevantes do projeto Skillful AID: a troca internacional de experiências entre empreendedores criativos. O projeto foi criado precisamente para apoiar micro-negócios criativos, reforçando as suas competências empreendedoras, digitais e de resiliência empresarial através de recursos educativos, formação e intercâmbio entre Portugal e Roménia. Ao longo de dois dias, participantes portugueses e romenos puderam discutir desafios comuns que afetam praticamente todos os pequenos negócios criativos: A dificuldade em competir com produtos produzidos em massa;A necessidade de melhorar a presença digital;A importância do storytelling para valorizar produtos artesanais;A construção de redes de colaboração entre empreendedores. Mais do que aprender técnicas de marketing, os participantes perceberam que o sucesso de um micro-negócio criativo depende da capacidade de comunicar autenticidade. Levar o Erasmus+ às comunidades rurais Um dos aspetos mais marcantes desta iniciativa foi a decisão de realizar a formação em Estremoz, aproximando uma atividade internacional Erasmus+ das comunidades criativas do interior do país. Demasiadas oportunidades de aprendizagem continuam concentradas nos grandes centros urbanos, dificultando a participação de artesãos e pequenos empreendedores que vivem em zonas rurais. Ao realizar esta iniciativa no Alentejo, o projeto demonstrou que a internacionalização também pode acontecer fora das grandes cidades, criando novas oportunidades para territórios onde o património artesanal continua particularmente vivo. Um legado que continua Embora o projeto Skillful AID esteja a chegar ao fim, o conhecimento partilhado permanece disponível através dos recursos educativos desenvolvidos ao longo da parceria, incluindo vídeos de boas práticas, conteúdos de aprendizagem e um guia dedicado à sustentabilidade dos micro-negócios criativos. Estes materiais continuarão acessíveis para inspirar artesãos, empreendedores e formadores interessados em fortalecer os seus projetos. As histórias de Theodor Moise Drăghici e Irina Apan mostram que a inovação não substitui a tradição. Quando utilizada de forma inteligente, permite precisamente que o património cultural encontre novos públicos, novas oportunidades de negócio e novas gerações capazes de lhe dar continuidade. O projeto Erasmus+ Skillful AID demonstrou que o futuro do artesanato europeu passa, cada vez mais, pela combinação entre saber-fazer tradicional, competências digitais e cooperação internacional.
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