Vida Ser Mãe na Era Digital: Como proteger e acompanhar os seus filhos nas redes sociais Publicado em 9 de Setembro, 2025 Se ser mãe não é fácil e, em 2025, na era dos smartphones e das redes sociais, com um sem-fim de notícias assustadoras – bullying, abusos, misoginia, problemas de saúde mental, etc. – ainda menos! Neste novo panorama, se é mãe, é natural que se sinta perdida e sem saber como, de forma eficiente, proteger os seus filhos! Ainda mais num mundo digital onde não há portas fechadas, nem horários definidos. Sem dúvida que a Internet pode ser uma coisa boa e que as redes sociais têm os seus pontos positivos, da mesma forma que há bons influencers. Bem usadas, as redes podem ser fonte de aprendizagem, criatividade e socialização. Porém, isso não significa que os seus riscos possam ser ignorados ou minimizados. Por um lado, porque eles existem; por outro, (e são às centenas os estudos que o comprovam) podem causar sérios danos nos nossos filhos, sejam eles crianças, adolescentes ou jovens. Por isso, saber educar no digital é tão importante. Mais do que proibir ou controlar, é sobre acompanhar, estar presente e conversar, ensinando a olhar para o mundo digital com espírito crítico. Os principais perigos do digital para os mais novos Antes de falarmos em estratégias, importa perceber de que riscos estamos, efetivamente, a falar: A exposição a conteúdos inadequados é talvez o perigo mais óbvio. Dos desafios perigosos, aos conteúdos para adultos e mensagens de ódio, a Internet é um faroeste sem rei nem lei e, acredite, mesmo com controlos parentais, os seus filhos facilmente conseguem ter acesso a este tipo de conteúdo.O cyberbullying é outro risco de que muitos pais já têm noção. Todavia ainda são limitadas as respostas, seja das escolas, seja das autoridades para estes casos.Depois, há ainda a comparação social. Especialmente na adolescência, o número de likes e de seguidores é muitas vezes confundido com valor pessoal. Isto pode ter um impacto gigante na autoestima e na saúde das crianças.A partilha de dados pessoais, sexting ou contactos com desconhecidos não só expõe os mais novos, como põe em risco a sua privacidade.Depois há ainda o risco sério de vício digital, cuja dependência se vai alimentando de “scroll infinito” e notificações constantes. Para os mais novos, estes perigos nem sempre são claros. Mas, como mãe, o que realmente deve perceber é que eles ainda não possuem maturidade para lidar com este tipo de perigo, nem ferramentas para distinguir o que é real ou não. Até aos 25, o nosso cérebro está em desenvolvimento e por isso, compete-nos a nós, mães, estar atentas e assumir um papel ativo na educação digital. A importância de acompanhar em prol do bem-estar digital Embora proibir possa parecer a solução mais simples, não resolve. A adolescência é, por si, uma idade de transgressão, fazer o proibido faz parte, por mais bem comportado ou “desenvolvido” que seja o seu filho. Basta pensar que, também nós, nestas idades, fizemos coisas às escondidas, rompemos regras e desobedecemos. Além disso, de que serve proibir, se depois têm acesso em casa de um amigo ou no recreio da escola? O mesmo com os controlos parentais. O que mais há online é informação sobre como os contornar! Posto isto, o caminho mais eficaz passa por um acompanhamento com presença e empatia. Isto não significa que não devam existir regras. Como mãe, sabe bem que as regras são muito úteis! No entanto, é preciso ir mais longe e explicar, ouvir e dar o exemplo, claro. A par disto, revele interesse pelo que os seus filhos veem, criando um espaço seguro e aberto para o diálogo. Só assim pode ter a certeza que na dúvida ou quando for preciso, é a si que eles recorrem. Boas práticas de uso das redes sociais e smartphones por idade Uma vez que cada fase (da infância à juventude) traz diferentes desafios, como mãe é importante saber adaptar-se a cada uma. Nesse sentido, para lhe ajudar, ficam aqui algumas orientações práticas: Dos 0 aos 5 anos (primeiros anos) Evitar ao máximo a exposição a ecrãs, priorizando brincadeiras, interação com adultos e movimento.Sempre que houver uso, opte por conteúdos educativos e na companhia de um adulto.Desde cedo, deve começar a estabelecer rotinas claras: refeições sem ecrãs e hora de dormir sem ecrãs. E nada de telemóveis no quarto. Dos 6 aos 10 anos (infância) A supervisão deve ser constante, inclusive em versões infantis, como o YouTube, por exemplo. Cuidado com os jogos online mais inocentes e encantadores, pois muitos são alimentados por publicidade e, na maioria das vezes, não têm controlo sobre o que é anunciado – e, sim, anúncios pornográficos aparecem com frequência.Comece a explicar a diferença entre o que é “real” e o que é “editado”. Mostre-lhe, por exemplo, como funcionam filtros e montagens.Incentive ao máximo momentos offline em família, como jogos de mesa e idas ao parque. Dos 11 aos 13 anos (pré-adolescência) Nestas idades, muitos já pedem o primeiro telemóvel. Muitos pais acabam por ceder, porque a pressão é grande – “Mas, mãe, os outros têm!” ou “Sou o único que não tem!”. Nenhum pai quer ver o filho excluído. Ainda assim, importa reforçar: não há estudos nem psicólogos que recomendem o uso de redes sociais nestas idades. E mais: os seus filhos, por mais maduros que pareçam, ainda são extremamente permeáveis aos conteúdos online e aos efeitos da comparação social. Se já deu autorização, está sempre a tempo de voltar atrás. Se decidir permitir, faça-o sempre com supervisão. Além disso, é essencial: Incentivar o uso de perfis privados, explicando os riscos de falar com desconhecidos e da exposição.Conhecer e conversar sobre os influencers que seguem. Pergunte-lhes quem são, por que gostam deles e que mensagens transmitem.Fazer perguntas sobre os vídeos que vêem e como os fazem sentir: “Deixa-te nervoso?”, “Sentes que não consegues parar de ver?”, “Farias algo semelhante?”.Em conjunto, estabelecer tempos de uso, definindo horários de descanso digital, especialmente uma hora antes de dormir. E, mais uma vez, nada de smartphones no quarto. Dos 14 aos 17 anos (adolescência) Mesmo nesta faixa etária, note que a maioria dos especialistas só recomenda a criação de perfis em redes sociais a partir dos 16 anos. Também, e igualmente, importante é: Falar sobre pressão estética, comparação e ansiedade. Mostrar que muito do que se vê online é irreal, editado ou manipulado.Incentivar atividades offline que promovem o bem-estar, como desporto, leitura e voluntariado.Definir regras claras em conjunto – e cumpri-las!Manter a regra de não levar o telemóvel para o quarto à noite.Pode ser um bom momento para partilhar vídeos e documentários sobre o tema. Existem vários recursos educativos digitais que podem ser bons pontos de partida para conversar em família e estimular o pensamento crítico dos mais novos. Dos 18 aos 23 anos (jovens adultos) Nesta fase, o uso cruza-se com a vida académica e até profissional. O seu poder enquanto mãe pode estar mais limitado, mas ainda assim vale a pena insistir e falar sobre reputação online. Afinal, tudo o que publicamos pode ter impacto no futuro, seja na universidade ou na hora de ser contratado para um novo emprego. Aproveite para incentivar uma “higiene digital”, com limpezas periódicas às contas, remoção de conteúdos que causam ansiedade e gestão de notificações, por exemplo. O exemplo da mãe Por último, é crucial perceber isto: nada do que foi dito importa se aquilo que faz é diferente daquilo que diz. Se passa horas no telemóvel, seja a responder a emails de trabalho ou a fazer scroll, vai ser difícil convencer os seus filhos de que também eles devem reduzir o tempo online. Nesse sentido, um conselho: se sente que está presa a esta rotina, fale com os seus filhos. Mostre-lhes que também está a aprender a gerir o tempo que passa online. Partilhe as suas dificuldades (seja de desligar notificações, estabelecer pausas ou apagar apps) e mostre que é possível mudar em qualquer idade.Igualmente importante é cumprir as regras, sejam elas as que foram estabelecidas para si ou para eles. Evite exceções que acabam em “só mais 5 minutos” e se transformam em horas. Aceitar que não podemos controlar tudo é um primeiro passo. Essa é a melhor forma de acompanhar com presença e empatia. E, para isso, é essencial diálogo aberto, regras claras e, acima de tudo, coerência no exemplo. Só assim podemos preparar os nossos filhos para navegar num mundo digital desafiante, mas também cheio de possibilidades.
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