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A Transcendência do Bem

Montanhas

O Amor move montanhas, e certamente existirão muitas estepes por aí, mas as montanhas que contemplo das janelas dos meus olhos são luminosas e têm vista para o mar. Nem mais, nem menos, lugar em 1.ª classe para o interior dos nossos sonhos, que com persistência e capacidade de determinação se converterão em realidade.

Amor

Este mês, dezembro, parece-me a altura ideal para frisar a importância do significado que esta palavra conhecida por todos, ganha. Nesta época, as pessoas compram mil iguarias para as suas mesas, trocam várias lembranças ou correm desesperadas para comprar o último presente, mas nada disso faz sentido quando nos esquecemos uns dos outros.

Durante este ano, alguns breves momentos marcaram-me para sempre, e compreendi que alimentamos uma sociedade em que impera muitas vezes o vazio. O vazio de emoções, o vazio da compaixão, o vazio do abandono, o vazio do esquecimento, o vazio da ingratidão. Todas palavras pesadas e que têm levado muitas pessoas a uma solidão atroz, que nós, mulheres, enquanto empreendedoras, temos o dever e missão de alterar.

Amor incondicional

Compreendi por fim que a minha vida de cuidadora moldou para sempre a forma como eu sou e como sou vista pelos outros. Como cuidadora, vislumbrei um tipo de amor, aquele que é incondicional e que não é para todos. Um cuidador, e falo sobretudo dum cuidador a solo, abdica de si mesmo para cuidar do outro sem contrapartidas, sem intenções, sem retornos. Existe apenas puro amor. Esse amor, diria quase sacro, é de devoção, pois há um ser que se despoja de si próprio para venerar e cuidar de outro. É um amor luminoso, de pura compaixão. Há uma certa grandiosidade e humildade no carácter humanitário de alguém que pensa e cuida do outro.

A grandiosidade duma empreendedora

Graciosamente, reconheci neste grupo uma centelha dessa grandiosidade. A necessidade e vontade que uma mulher empreendedora tem de abdicar de si, do seu tempo, para também cuidar e mimar o outro. Nada poderia ser mais belo. Aquele que, movendo-se pelos valores da solidariedade, empatia, identificação, comunicação e carácter humanitário, pensa em formas de se conectar com o outro, abdicando de si.

Torna-se uma missão: ajudar o outro com aquilo que se tem de melhor.

Torna-se uma bênção: receber do outro o que este tem de melhor.

Torna-se um retorno: dar e receber. Amar e ser amado.

Estas são mais-valias que podem mudar um coração para sempre. O meu certamente mudou. Agora contemplo os outros de outra forma. Quanto mais recebo, mais quero dar. Quanto mais sei e mais aprendo, mais sei onde quero estar. Em união de valores, pensamentos e formas de estar.

A noção de Visão e Partilha: um deslumbramento

O meu dezembro não voltará a ser o mesmo, nem o de cada uma de nós, porque, como é sabido, nada volta a acontecer da mesma maneira, como diria Heraclito, mas tinha de vos falar dessa luz interior, dessa centelha, minha e vossa.

Enquanto empreendedoras, temos sem dúvida uma noção de Visão, de Partilha e de Comunicação que podem levar ao deslumbramento. O deslumbramento provocado pelas ideias mais especiais, pelas conexões que nascem do sentido de unidade, dessa união com o todo e que, pouco a pouco, nos mostram que tal como quando escrevemos um texto, este tem um início, um princípio e um fim, assim também o sentido do que realizamos se desvela.

Um outro tipo de amor

Falei de deslumbramento, do sacro, da partilha, a meu ver, a fonte luminosa que nos pode caracterizar enquanto seres humanos gregários, mas acima de tudo, como seres que ajudam o outro a crescer de forma mais plena.

É um outro tipo de amor, mas é amor. Amor por colocar os sonhos dos outros em movimento, por contemplar sorrisos nos que sofrem, por instalar e guardar melodias suaves e flutuantes no interior dos outros e ao mesmo tempo no nosso, permitindo-nos dançar ao som das estrelas nos nossos mais recônditos sonhos. Porque fazer o bem… é isso, alegrarmo-nos numa sintonia celestial.

A consciência da união

Temos o dever de sonhar, acreditar e realizar esses ou outros sonhos, tendo, porém, agora a vivência e consciência plena de que, em união, tudo crescerá de forma mais elevada. Nunca a frase “a união faz a força” ganhou mais sentido.

Qual é a montanha que tu contemplas? Qual é a tua montanha?

Dezembro está a finalizar, pergunto-te agora: e tu, quais são as montanhas que contemplas? Uma montanha inóspita e solitária ou uma montanha pujante e que comunica diretamente com a tua alma?

Aconselho-te a que escutes sempre a tua alma, com ela escutarás e reconhecerás de forma mais sábia e intensa a tua missão, e saberás, sempre, qual é a tua montanha.

A última página do calendário está a cair, mas também assoma outra, novinha em folha. Que tal se virarmos essa última página juntas e contemplarmos, todas em uníssono, as paisagens dos nossos sonhos?   

Vai ser arrebatador! Até muito… muito em breve. Espero-te do outro lado da minha montanha a sorrir. Procura-me ao pé da árvore mais frondosa, aquela por onde crescem as mais belas túlipas e girassóis. Terei, certamente, uma túlipa ou um girassol para ti!

Não poderias entrar duas vezes no mesmo rio.

Heraclito, citado por Platão, no livro Crátilo

Marisa Noblejas

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