Home Noticias Censura Digital: comunidade Mulheres à Obra bloqueada pelo Facebook

Censura Digital: comunidade Mulheres à Obra bloqueada pelo Facebook

Em maio a comunidade Mulheres à Obra, com quase 200 000 mulheres, foi bloqueada pelo Facebook sem qualquer aviso prévio, explicação clara ou possibilidade real de defesa. Um espaço vivo, onde se geravam mais de 3 500 publicações mensais e se praticava diariamente a entreajuda, o apoio profissional, emocional e económico entre mulheres, desapareceu com um clique algorítmico, sem recurso nem respeito pelo seu impacto social.

Ao longo dos anos, construímos esta comunidade com base em valores como a solidariedade feminina, a cooperação e o empreendedorismo com impacto. Sempre respondemos aos alertas da Meta, reformulámos publicações quando necessário e cumprimos com os Padrões da Comunidade impostos pela plataforma. No entanto, tal não impediu a eliminação abrupta de um espaço que tantos reconhecem como transformador.

Esta decisão é, para nós, um caso claro de violência digital de género. Um exemplo do poder desproporcionado que as grandes plataformas tecnológicas exercem sobre os espaços digitais de organização e partilha liderados por mulheres. É também um sinal de alarme sobre o défice de transparência, responsabilidade e justiça nos processos de moderação automatizada destas plataformas.

A urgência de uma resposta colectiva

Enquanto membros da COFACE – Families Europe, da Make Mothers Matter (MMM) e da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM), sentimos a responsabilidade de colocar na agenda pública uma questão cada vez mais urgente: a proteção das comunidades digitais vulneráveis. O apagamento silencioso de grupos inteiros por parte das grandes plataformas, muitas vezes sem explicações claras ou possibilidade de recurso, compromete seriamente o direito à liberdade de expressão e à participação cívica de milhares de pessoas, sobretudo mulheres, ativistas e comunidades organizadas em torno do cuidado, da solidariedade e da justiça social.

É fundamental que avancemos com mecanismos de denúncia eficazes a nível internacional e garantias de interlocução direta com as plataformas digitais, exigindo transparência, responsabilidade e respeito pelas redes que promovem o bem comum. A nível legislativo, apelamos a uma implementação robusta do Digital Services Act (DSA), com disposições específicas para proteger grupos com menor poder institucional. Precisamos de normas que reconheçam e salvaguardem o papel das comunidades de base na construção de democracias digitais inclusivas.

Mais do que resistência, é tempo de criação. Precisamos de investir em alternativas tecnológicas éticas e feministas, onde a liberdade de expressão, o cuidado comunitário e os direitos humanos sejam princípios estruturantes. Não podemos continuar a construir redes de empoderamento em plataformas que, à menor denúncia automatizada ou erro de sistema, nos silenciam. A transformação digital tem de ser também uma transformação política, centrada nas pessoas e nos seus direitos.

Como estamos a reagir

Perante a gravidade do que aconteceu, estamos já em contacto com diversas entidades institucionais e da sociedade civil. Iniciámos comunicações com a UN Women, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), a Comissão para a igualdade no Trabalho e no Emprego 8CITE), a DECO e outras instâncias europeias e internacionais com competência para acompanhar casos de censura digital, discriminação algorítmica e violação de direitos fundamentais em ambiente online.

Simultaneamente, estamos a estabelecer pontes com jornalistas nacionais e internacionais que têm vindo a investigar esta problemática, com o intuito de dar visibilidade ao caso e denunciar publicamente os riscos que estas práticas representam para a democracia e a liberdade de expressão. Procuramos igualmente colaborar com organizações e redes que nos possam apoiar na reconstrução da nossa comunidade em plataformas mais seguras, éticas e sustentáveis.

Divulgámos a situação em Portugal no Executive Digest, disponível no portal Sapo AQUI, e na plataforma europeia EPALE, disponível AQUI.

Como resposta imediata, criámos um novo grupo no Facebook disponível AQUI e criámos uma comunidade no Whatsapp, à qual é possível aderir AQUI. estamos a reforçar a nossa lista de emails para manter a comunicação ativa com todas as mulheres que integravam a nossa rede. Esta etapa é essencial para garantir a continuidade da nossa missão de empoderamento, partilha e solidariedade, mesmo perante tentativas de silenciamento digital.

Convidamos-te a juntar-te a nós

Se também acreditas que esta censura é inaceitável, ajuda-nos a divulgar. Fala sobre o tema. Partilha este artigo. Subscreve a nossa newsletter. E, acima de tudo, não deixes que a tua voz desapareça.

A comunidade Mulheres à Obra não será silenciada.

Ver Também

Município de Oeiras reconhece o valor de «As Vozes do Empreendedorismo Feminino»

Há encontros que continuam depois de sairmos da sala. Num contacto que guardamos, numa ide…