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Portugal lidera ranking europeu de mães sobrecarregadas

Portugal lidera ranking europeu de mães sobrecarregadas, revela estudo apresentado no Parlamento Europeu pela organização internacional Make Mothers Matter

No passado dia 22 de Setembro, Camila Rodrigues, fundadora da comunidade Mulheres à Obra, esteve no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a convite da organização internacional Make Mothers Matter, para o lançamento oficial do relatório “State of Motherhood in Europe 2024”.

Este relatório, baseado num inquérito realizado a 9.600 mães em 12 países europeus, revela dados alarmantes: 67% das mães entrevistadas afirmam sentir-se mentalmente sobrecarregadas, devido à conjugação de exigências profissionais, familiares e sociais. Contudo, é em Portugal que a situação se mostra mais crítica: 81% das mães portuguesas inquiridas reportaram esta sobrecarga, o valor mais elevado de todos os países analisados.

Este dado sublinha a urgência de políticas públicas eficazes e de uma mudança estrutural no reconhecimento e apoio à maternidade, nomeadamente no que toca à saúde mental, à conciliação entre vida pessoal e profissional, e à valorização do trabalho não pago.

Durante o evento, Camila Rodrigues interpelou diretamente representantes das instituições europeias, incluindo Ana Carla Pereira (Comissão Europeia) e Christa Schweng (Comité Económico e Social Europeu), questionando-as sobre o impacto do crescimento político da extrema-direita na Europa e as potenciais ameaças às políticas de igualdade de género.

A participação da comunidade Mulheres à Obra neste momento estratégico representa um passo importante na visibilidade das preocupações das mulheres empreendedoras e mães em Portugal, reforçando o nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — em particular os ODS 5 (Igualdade de Género) e ODS 8 (Trabalho Digno e Crescimento Económico).

A comunidade Mulheres à Obra subscreve integralmente as recomendações apresentadas pela Make Mothers Matter, que apontam caminhos concretos para mudar esta realidade, nomeadamente:
🔹 Reforçar o apoio à saúde mental materna
🔹 Promover ambientes de trabalho familiares e flexíveis
🔹 Reconhecer e redistribuir o trabalho não pago de cuidado
🔹 Aprofundar e garantir a equidade nas políticas de licenças parentais
🔹 Assegurar serviços de infância acessíveis e de qualidade

Deixamos um apelo claro aos representantes políticos e à comunicação social portuguesa: é urgente colocar esta questão na agenda pública e dar visibilidade à realidade das mães no nosso país. Só assim poderemos deixar de liderar um ranking que nenhuma de nós quer ver Portugal encabeçar, o da sobrecarga invisível que recai todos os dias sobre os ombros de milhares de mães no nosso país.

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