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Mulheres à Obra levam reflexão sobre Inteligência Artificial a encontro internacional

Camila Rodrigues, fundadora e administradora das Mulheres à Obra, participou como oradora no Breakfast Bite da COFACE Families Europe, realizado a 4 de novembro. O encontro reuniu cerca de 40 participantes de diferentes áreas e, segundo a organização, de 18 países.

Que impacto pode ter a inteligência artificial na vida das mulheres e das famílias? Pode ajudar a distribuir melhor as responsabilidades de cuidado, ampliar a autonomia e criar oportunidades? E que desigualdades corre o risco de reproduzir?

Estas foram algumas das questões que Camila Rodrigues levou ao Breakfast Bite da COFACE Families Europe, um encontro de networking internacional dedicado à reflexão e ao debate sobre temas centrais para os direitos das famílias na Europa.

Sob o tema «Mulheres, cuidados e inteligência artificial: tempo, responsabilidade e igualdade de género», a apresentação trouxe para o debate situações do quotidiano das famílias e das mulheres empreendedoras, explorando tanto as possibilidades destas ferramentas como as condições necessárias para que contribuam para uma sociedade mais justa.

Se a inteligência artificial nos poupa tempo, quem beneficia desse tempo?

Uma das questões centrais da intervenção foi a relação entre tecnologia e responsabilidades de cuidado. Ferramentas que ajudam a preparar conteúdos para um negócio, responder a clientes ou apoiar a aprendizagem das crianças podem facilitar tarefas. Mas facilitar a execução não significa, por si só, partilhar a responsabilidade de identificar necessidades, planear e acompanhar.

A reflexão proposta por Camila Rodrigues incidiu precisamente sobre esta diferença: o tempo poupado transforma-se em descanso, autonomia e liberdade de escolha para as mulheres, ou acaba por ser preenchido com mais trabalho e novas exigências de disponibilidade?

Para as mulheres empreendedoras, esta questão tem particular relevância. A possibilidade de acelerar tarefas pode abrir espaço para desenvolver o negócio e cuidar de si próprias, mas exige também capacidade para estabelecer limites e decidir como utilizar o tempo ganho.

Quem participa na construção da tecnologia?

A apresentação abordou igualmente o risco de reprodução de estereótipos de género nas imagens, respostas e recomendações produzidas por inteligência artificial.

Através de exemplos ilustrativos, Camila convidou à reflexão sobre a forma como estas ferramentas podem associar autoridade, tecnologia e cuidados a determinados perfis, ou sugerir percursos diferentes a raparigas e rapazes com interesses e qualificações semelhantes.

A participação das mulheres na conceção, no desenvolvimento e na avaliação destas tecnologias foi apresentada como uma dimensão essencial: as suas experiências e necessidades devem influenciar as ferramentas que afetam o seu trabalho, as suas famílias e as suas escolhas.

Privacidade, pensamento crítico e responsabilidade das plataformas

Outro eixo da intervenção centrou-se na confiança e na proteção da autonomia. Foram discutidos os riscos de partilhar informação pessoal e familiar em pedidos aparentemente simples, bem como a importância de preservar o pensamento crítico e verificar respostas que podem parecer convincentes sem estarem corretas.

A experiência das Mulheres à Obra com as remoções do seu grupo de Facebook também integrou a apresentação. O caso permitiu colocar em debate a falta de transparência das decisões das plataformas, as dificuldades de acesso a apoio humano e os obstáculos à obtenção de respostas através dos mecanismos de reclamação.

Sem atribuir à inteligência artificial uma responsabilidade que permanece por confirmar neste caso, a intervenção colocou uma questão mais ampla: quem responde quando as decisões de uma plataforma comprometem a participação e a continuidade de uma comunidade?

A reflexão final sublinhou que o progresso tecnológico deve ser avaliado pelo seu contributo para a autonomia, a igualdade, a participação e a proteção dos direitos.

Esta participação reforça o compromisso das Mulheres à Obra com o diálogo internacional, levando as experiências e preocupações da nossa comunidade a espaços de debate sobre o futuro do trabalho, dos cuidados e da vida em sociedade.

A COFACE destacou a qualidade da apresentação e da discussão, bem como a diversidade das pessoas presentes. A organização prevê disponibilizar a apresentação no seu website e publicar a gravação do encontro até dezembro de 2026.

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