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Somos Vítimas ou somos Guerreiras?

Violência de Género

A Comissão para a Igualdade de Género (CIG) publicou este mês o Boletim Estatístico de 2022 referente à Igualdade de Género em Portugal. O relatório evidencia a persistência de consideráveis desigualdades entre mulheres e homens no nosso país, a diversos níveis.

Desigualdades Persistentes na Economia

Ao nível económico, apesar de possuírem um desempenho escolar e um nível de escolaridade superior aos homens, as mulheres continuam a ganhar menos, a ter rendimentos mais reduzidos, a progredir menos na carreira e a apresentar uma maior vulnerabilidade à pobreza e à exclusão social.

Em 2020, por grandes grupos profissionais, a remuneração média mensal de base dos homens foi de 1 104,49€ e a das mulheres foi 957,50€; e a remuneração média mensal de ganho dos homens foi de 1 344,54€ e a das mulheres de 1 128,35€, situando-se o gender pay gap (GPG) base nos 13,3% e o GPG ganho nos 16,1%, em desfavor das mulheres.

As mulheres permanecem sub-representadas nas Tecnologias da Informação e Comunicação, o que se traduz numa segregação laboral que as exclui de uma área extremamente valorizada e que tem merecido considerável apoio público.

Inversamente, o trabalho não-remunerado, tanto a nível das tarefas domésticas, como a nível do cuidado com descendentes e ascendentes, continua a ser essencialmente assegurado pelas mulheres, representando uma sobrecarga que aprofunda e explica a persistência de grande parte das desigualdades registadas.

Desempoderamento crónico e suas consequências

As mulheres estão sub-representadas em cargos de poder ao nível económico e político, o que compromete a sua representação, limita a qualidade da democracia e não favorece a adoção de medidas conducentes a uma maior igualdade de género.

Apesar de terem uma esperança de vida maior, as mulheres apresentam uma qualidade de vida inferior aos homens. Comparando com os homens, mais mulheres percecionam o seu estado de saúde como mau ou muito mau, referem ter doenças crónicas ou problemas de saúde e sentem-se limitadas na realização de atividades habituais. A violência de género, particularmente a violência doméstica, continua a afetar principalmente as mulheres.

De Vítimas a Guerreiras

Os dados não são animadores e a sua alteração implica um esforço conjunto de toda a sociedade:

  • As entidades públicas que devem implementar políticas de apoio à igualdade de género;
  • As grandes empresas que necessitam de implementar práticas salariais e de progressão na carreira justas e equitativas;
  • Os companheiros que devem dividir de forma equilibrada com as suas companheiras as responsabilidades de gestão doméstica e de cuidados familiares.

Sobretudo, não podemos esquecer o papel fundamental que nós próprias temos que desempenhar na luta pela igualdade de género. Para além das ações que podemos adoptar na nossa vida pessoal e profissional, devemos conhecer a realidade e ter a disponibilidade para colaborar com as nossas congéneres na defesa de interesses comuns. 

Não basta o que cada uma sozinha pode fazer por si; temos que ir mais além e agir coletivamente em defesa de uma sociedade mais justa para todas. Então seremos guerreiras poderosas, com uma causa justa e armas para vencer esta difícil batalha.

Imagem de Enrique por Pixabay

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