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Mulheres à Obra além fronteiras – projeto transnacional leva-nos à Alemanha

Entre os dias 27 e 30 de maio, realizou-se o primeiro encontro transnacional do Projeto SOFAR na região da Baviera, na Alemanha, um projeto financiado pela Comissão Europeia, no âmbito do Erasmus Plus. Este projeto é coordenado por uma das maiores universidades da Turquia, a Universidade de Gazi, e inclui 6 parceiros de 4 países: Turquia, Portugal, Alemanha e Eslovénia.

Participar neste encontro foi uma grande oportunidade para nós. Pudemos colaborar com parceiros experientes de diferentes países e visitar projetos muito interessantes e inspiradores de agroempreendedorismo social feminino.

As visitas incluíram um jardim de infância que adota uma abordagem similar à Forest School, mas integrando a vida na quinta nas atividades diárias das crianças, que são desafiadas a tratar dos animais, cultivar a horta e produzir ferramentas úteis enquanto passam grande parte do seu dia no exterior, aproveitando o contacto com a natureza.

A família que possui o terreno onde o Jardim de Infância se encontra arrendou o espaço a uma entidade sem fins lucrativos que, por sua, vez, contratou a mãe de família para gerir o projeto. É uma iniciativa interessante de empreendedorismo em que as sinergias entre a família e esta entidade promovem a criação de uma resposta social inovadora, acessível e alternativa à oferta geral.

Visitámos igualmente quintas que desenvolvem projetos educativos para escolas, em parceira com o governo regional, que integra esta oferta no seu plano curricular para o primeiro ciclo. Os membros das famílias agricultoras obtém formação específica para conduzir estas atividades educativas que sensibilizam as crianças para a vida rural e as informam sobre o processo de produção dos alimentos que consomem.

Ruth Bayer, a jovem grávida que gere o Jardim de Infância, explica que as crianças aprendem a trabalhar em segurança com ferramentas e materiais essenciais para a vida na quinta, adquirindo assim competências importantes de responsabilidade e motricidade.

As visitas foram muito informativas e revelaram uma abordagem interessante ao agroempreendedorismo social feminino, onde as iniciativas de empreendedorismo envolvem um esforço coletivo que reúne mulheres agricultoras, as suas famílias, as comunidades locais, organizações sociais e autoridades regionais que reconhecem a importância da agricultura social e apoiam o seu desenvolvimento.

Esta abordagem oferece uma alternativa refrescante à visão convencional de empreendedorismo como um esforço individual dependente exclusivamente do mérito pessoal. Realça a importância da comunidade e do desenvolvimento local alcançado através da cooperação de todos os stakeholders para o bem comum.

Outro aspecto notável destacado pelas visitas foi o papel da agricultura social na diversificação das fontes de rendimento das famílias. As atividades agrícolas principais são complementadas por projetos de agricultura social, que proporcionam um rendimento adicional às famílias, enquanto incorporam uma dimensão de responsabilidade social nos seus negócios. Estas quintas tornam-se prestadoras de serviços sociais nas suas comunidades, enriquecendo a rede de apoio local para os mais vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, crianças e idosos.

É sem dúvida um exemplo a seguir e que vamos procurar desenvolver em Portugal, onde as zonas rurais ainda sofrem com a desertificação, motivada pela falta de oportunidades, de recursos, de respostas sociais e de dinamismo económico.

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