Empreendedorismo A alma do negócio Publicado em 20 de Janeiro, 2026 ESTE TEXTO QUASE NÃO FOI ESCRITO ─ assim como tantos negócios que ficam apenas no sonho A minha única resolução de Ano Novo foi pôr um travão ao adiamento, esse grande veneno com que o Complexo de Impostora, o meu primeiro e mais fiel leitor, tenta apagar todos os meus textos. Ele tem acesso exclusivo à minha escrita, ainda antes de eu deitar as palavras cá para fora, e inocula, sem dó nem piedade, o seu veneno nos meus pensamentos: “És tão cheia de opiniões! Tens assim tanto a dizer?” “Mas para quê?” “Agora vais ser bloguista?” “Quem é que vai ler isto?” “Se não for para ser perfeito, mais vale não escreveres!” “Vais ter imenso trabalho para ninguém abrir o teu e-mail…” E assim ele paralisa tudo: mina as iniciativas, ridiculariza o empenho, aniquila as ideias… Por isso, em vez de cortar os hidratos de carbono em 2026, pois há limites! (risos!), preferi cortar o excesso de “depois eu faço”, sabes? O adiamento é um mecanismo de defesa do ego para lidar com o nosso sabotador interno, imobilizando a Alma criativa e reforçando a crença limitadora de que “aquilo que eu quero para mim não é assim tão importante”. Repara… A cada projecto arquivado, a cada ideia que não chega a nascer, a cada tarefa adiada, o Complexo de Impostora fortalece-se com a emoção do fracasso e sentencia, bruto: “Estás a ver? Não avanças. É melhor ficares no teu empreguinho, com o dinheirinho certo ao fim do mês, aguentares o cabrãozinho do teu patrão e evitares chatices.” Isto faz com que muitas mulheres recuem perante o empreendedorismo e que muitas empreendedoras recuem perante o crescimento do seu próprio negócio, mesmo quando têm um sonho grande que lhes acende o Fogo da Alma e os recursos necessários para o concretizar. Nestes seis anos como parceira aqui nas Mulheres à Obra, fui notando uma constante entre nós: todas, em maior ou menor grau, andamos às turras connosco próprias e com os outros para equilibrar negócio e vida pessoal. Volta e meia damos por nós presas em dilemas entre trabalho e família, carreira e filhos, criatividade e exigências, prazer e dever. Neste esforço hercúleo, muitas de nós já teve, tem ou está à beira de um burnout, quase sempre acompanhado das perturbações “favoritas” dos nossos tempos: ansiedade e depressão, frequentemente medicadas para conseguirmos suportar os atropelos das tarefas e vencermos a insónia que também vem no pack. Há muito tempo que reflito e estudo sobre isto, sobretudo porque grande parte das minhas pacientes em terapia são mulheres empreendedoras, o que me permite ver ao pormenor como estas engrenagens do medo operam na vida psíquica. O receio do fracasso persegue-nos e a luta pela sobrevivência tem, muitas vezes, um papel decisivo no abandono dos nossos sonhos, pois transformar paixão em ganha-pão não é simples e as contas continuam a chegar. Eu própria, seguindo as ordens do Complexo de Impostora, deixei durante muito tempo as minhas reflexões acumuladas em cadernos e reservadas apenas à supervisão clínica com os meus colegas, com medo da exposição e do julgamento que inevitavelmente a acompanham. Mas não é a obedecer à sabotagem que avançamos no caminho da realização… Por isso, escrevo Complexo de Impostora com letra maiúscula: para chamar o fantasma pelo nome e estabelecer com ele uma relação. Personalizo o fenómeno para confrontá-lo, reduzindo-lhe a autonomia e libertando a libido aprisionada no seu núcleo. Com essa energia psíquica novamente disponível, o ego consegue pôr a coragem à prova e criar aquilo que a Alma pede, interrompendo, finalmente, o ciclo do adiamento. Ora, se escrever é algo que amo desde antes de conseguir segurar um lápis como deve ser; se as dores e as delícias de trabalhar por conta própria também me são íntimas; se ser terapeuta de mulheres me leva a ter um repertório interessante sobre a nossa vida psíquica e se meu compromisso com a palavra é inadiável, então não me resta outra hipótese senão escrever sobre a saúde mental da empreendedora. E tinha de ser aqui, na minha comunidade de eleição. Foi no berço das Mulheres à Obra que o meu negócio nasceu e que eu me estabeleci como terapeuta junguiana. Foi aqui, também, que construí e que ainda alimento alguns dos laços afectivos mais importantes da minha vida de imigrante em Portugal. Apresento-vos, assim, a rubrica “A ALMA DO NEGÓCIO: empreendedorismo e vida psíquica feminina”, pensada com carinho para o portal e a newsletter das MAO, e assente em três pilares fundamentais: a psicologia complexa de Carl Gustav Jung;a simbologia do Tarô como metáfora da jornada da Alma e do desenvolvimento da personalidade;a minha experiência concreta com esta comunidade e com o empreendedorismo feminino. Os temas dos textos foram elaborados a partir de uma tiragem de tarô específica para esta rubrica: uma carta por mês, desdobrada em tópicos semanais, que visa percorrer assuntos como equilíbrio razão-emoção, fins de ciclos, entusiasmo, disciplina, derrota, autoridade, abundância, entre outros. Espero que esta alquimia de palavras possa trazer alguma luz às vossas inquietações e que contribua também para estimular a coragem e reforçar a criatividade. Estou disponível para mexermos juntas o caldeirão! Há muitas fórmulas para o sucesso, mas é na capacidade de fazer boas escolhas e de honrar os compromissos assumidos que incorporamos a nossa verdadeira força. Um abraço em estado de presença, Renata Netto do Nascimento Terapeuta Junguiana Escreve-me! 😊 Site: http://renatanettodonascimento.com WhatsApp: +351 932 443 316 E-mail: renatanettodonascimento@gmail.com Redes sociais: renatanettodonascimento
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