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No sofá com a empreendedora Cristina Alves

Qual a tua atividade profissional?

Sou a artesã e curadora por detrás da marca Alcri Be Green. Procuro trazer para as minhas clientes soluções alternativas ao Plástico descartável, que beneficiem 3 pontos essenciais: a saúde, o planeta e a carteira.

Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

Desde muito cedo que olho para as coisas e as transformo em benefício para as pessoas. Comecei a aprender a tricotar com 12 anos e a fazer as minhas camisolas. Entretanto, as minhas amigas começaram a pedir-me que fizesse para elas e comecei o meu primeiro negócio, sem saber que o era.

Com a Costura aconteceu algo parecido. Tinha um tecido em casa e num dia chuvoso em que não apetecia sair de casa e em que o meu namorado na altura estava a trabalhar, resolvi pegar numa Burda e tirar os moldes de umas calças com elástico na cintura. Cortei as calças e como não tinha máquina de costura, cosi-as todas à mão.

No dia seguinte lá fui eu toda orgulhosa, desfilar as minhas calças castanhas com o meu camisolão cor de rosa.
Nessa altura, achei que devia de investir num curso de costura e numa máquina de costura. Falei com a minha mãe e assim fizemos.

Como começaste o teu percurso empreendedor?

Trabalhei sempre por conta de outrem até 2018, mas o bichinho empreendedor estava lá. Adoro tricot, costura, pintura e artes manuais no geral e por isso paralelamente ao meu emprego, ia fazendo formações e aprendendo coisas que me despertavam a atenção e me ajudavam a relaxar.

Todas elas acabavam por se transformar em pequenos negócios porque fazia para mim e acabava sempre por vender. Isto trazia-me uma renda paralela ao ordenado que me ajudava sempre a meter-me em novos cursos.
Devia de haver uma profissão chamada “Aprender coisas novas”. Eu seria de certeza muito bem sucedida!

Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

As principais dificuldades prendiam-se com a parte financeira.Tinha um emprego fixo, que me permitia receber um vencimento fixo, que me permitia pagar as contas ao final do mês.

Tinha um filho menor, dependente de mim, sem ajudas extras, à exceção dos meus pais, que precisava de comer, vestir, estudar. Assim, esperei que ele crescesse, e numa fase em que estive de baixa com uma depressão, aproveitei para dar o salto.

Estive 19 anos na última empresa em que trabalhei e já sonhava com isso há mais de 10 anos. Enchi-me de coragem e fui em frente. Tive sorte porque entrei em acordo com a entidade patronal e consegui ter o subsídio de demprego por 2 anos. Isso ajudou-me a estruturar o futuro e a definir os próximos passos que deveria dar.

Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

Tantas; a liberdade de horário, não estar 8 horas fechada numa sala e ter a liberdade de conviver com quem eu quero e não com quem sou obrigada a conviver.

Depois há também as outras questões mais desafiantes, como não ter rendimento fixo e não saber se no final do mês tenho dinheiro suficiente para fazer face às despesas fixas.

Sobretudo, o facto de não ter horários pode ser um paraíso ou um inferno porque, se não formos disciplinadas, a má gestão do tempo pode representar o fim do nosso empreendedorismo.

Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

  • Cria um pequeno fundo de maneio para as primeiras despesas;
  • Faz um estudo de mercado para veres que procura podes encontrar para o teu produto/serviço;
  • Estuda muito e investe em formação de qualidade com “Quem Sabe”;
  • Rodeia-te das pessoas que te podem abrir a mente;
  • Partilha o teu saber, não tenhas medo de ser copiada porque cada pessoa é igual a si mesma e ninguém consegue copiar a tua essência;
  • Define um horário diário para trabalhar afincadamente no teu projeto como se estivesses a ganhar milhões e tivesses imensas encomendas.

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