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No sofá com a Empreendedora Joana Beldade

P. – Qual a tua atividade profissional?

Actualmente trabalho na área do Empreendedorismo Digital Feminino, ofereçendo mentoria e formação para mulheres que querem criar um negócio online ou levar o seu negócio offline para o mundo digital. E ainda arranjo um espacinho para dar aulas de Yoga nas horas vagas.

P. – Quando sentiste o “chamamento” do empreendedorismo na tua vida?

O “chamamento” do empreendedorismo, mais especificamente do empreendedorismo digital, surgiu em 2016, como consequência de uma profunda insatisfação com a minha situação laboral e estilo de vida e uma vontade enorme de me libertar do que me foi dito que era o que eu devia ambicionar.

P. – Como começaste o teu percurso como empreendedora?

Os meus primeiros passos como empreendedora começaram nesse mesmo ano, em 2016, ainda quando servia como oficial de Comunicações e Criptografia, na Força Aérea Portuguesa. Nessa altura decidi que iria criar um Blog de Viagens.

Foi um período em que viajei bastante, tendo visitado países de muitas culturas diferentes, e isso deu-me a oportunidade de criar muito conteúdo. Eventualmente, tentei transformar esse blog num negócio online e criei uma loja virtual.

Contudo, acabaria por abandonar esse projecto em 2017, quando o meu contrato com as Forças Armadas terminou. A minha vida, na altura, sofreu muitas alterações e algumas coisas tiveram que ficar, necessariamente, para trás.

Voltei para o Algarve, de onde sou natural, e meses mais tarde viajei para a Índia, onde tirei a formação de professora de Yoga, que é outra das minhas paixões. Quando voltei, comecei a dar aulas e certifiquei-me como Life Coach.

O facto de ter adquirido conhecimentos do mundo digital fez com que facilmente criasse novamente conteúdos digitais, mesmo na área do Yoga. Aos poucos, comecei a aprofundar mais o meu conhecimento na área do Marketing e de Negócios e, eventualmente, fui contactada por pessoas próximas interessadas em aprender mais comigo.

Uma coisa que começou naturalmente transformou-se, rapidamente, no meu trabalho em full-time, sendo que continuo a dar aulas de Yoga esporádicas porque continua a ser algo que me realiza imenso. Por isso, a vida dá muitas voltas mas, por vezes, é para nos colocar no caminho certo.

P. – Que dificuldades encontraste nesse percurso e como as contornaste?

Uma das grandes dificuldades, no meu caso, foi técnica. Quando decidi criar um Blog de Viagens, levei muitas horas a tentar aprender sozinha como criar um website, como utilizar ferramentas de e-mail marketing, a adquirir conhecimentos sobre e-commerce e dropshipping, a criar conteúdos e a perceber como devia construir a minha marca. A minha formação de base é Arquitectura Paisagista, e ainda fiz o primeiro ano de Doutoramento em Design, por isso a área do Marketing e das tecnologias era um mundo completamente novo.

Todo esse tempo e dedicação foi útil, mais tarde, quando este novo negócio de coaching e mentoria foi criado. Mas olhando hoje para trás tinha poupado imenso tempo se tivesse recorrido à ajuda de alguém. E penso que, em parte, essa dificuldade é o que me motiva a oferecer os serviços que hoje ofereço.

Mas a minha maior dificuldade, que é também a maior dificuldade que vejo nas minhas clientes privadas, foi a de conseguir valorizar o meu trabalho o suficiente para me sentir à vontade para cobrar aquilo que achava que era um valor justo. E, claro, o medo de exposição pública e de julgamento de terceiros.

Durante muito tempo, o meu trabalho foi afectado por estes aspectos. Mas, quando nós somos a nossa marca, estes obstáculos têm que ser, necessariamente, superados. E, a única maneira de os superar, foi ter a coragem de arriscar e fazer as coisas apesar do medo. Depois, aos poucos, eles começaram a dissolver.

P. – Comparando a tua atual atividade profissional empreendedora com o trabalho que tinhas antes, que diferenças destacas?

A minha mudança, pode dizer-se que foi radical. Eu deixei um emprego estável, que podia ser para a vida se me tivesse candidatado aos quadros permanentes, com uma boa remuneração, progressão na carreira garantida e estatuto, por uma vida de incerteza. Eu não sabia o que ia fazer. Não sabia como ia ser o meu futuro. Eu sabia apenas uma coisa: o sítio onde eu estava não era o sítio onde eu devia estar. Aquele, simplesmente, não era o meu lugar. 

Por isso, se me pedirem para comparar uma situação e outra posso dizer que deixei um emprego que tinha tudo o que a maioria das pessoas procura, mas não tinha aquilo que era fundamental para mim: eu não gostava do que fazia, não me identificava com o que fazia e a minha atividade não me realizava minimamente. A minha anterior atividade profissional estava a roubar-me a minha saúde e sentia que estava a desperdiçar a minha vida.

Hoje faço o que gosto, trabalho com quem quero, tenho flexibilidade de horário, independência geográfica, mas não tenho estabilidade e o dia de amanhã continua a ser sempre um pouco incerto.

No entanto, se me perguntarem se valeu a pena, a minha resposta vai ser sempre que sim. Vale sempre a pena alinhares a tua vida com quem realmente és e com o que realmente te apaixona e realiza. E se fizeres o que realmente gostas, então o sucesso acaba por ser uma consequência.

P. – Que dicas gostarias de partilhar para quem quer dar os primeiros passos numa carreira empreendedora?

Analisa a tua situação actual. Daqui a 5 anos queres estar no mesmo sítio onde estás hoje? Serias feliz a fazer por mais 5 anos aquilo que hoje fazes? 

Muitas de nós temem arriscar e criar algo nosso. De facto, cerca de 70% dos negócios ainda são criados por homens.

Nós temos medo das consequências. Temos medo do desconhecido. Imaginamos todos os cenários na nossa cabeça. Tudo o que pode correr mal. É algo que nos é intrínseco por natureza. Mas isso impede-nos, muitas vezes, de dar os passos necessários para concretizarmos os nossos sonhos.

O melhor conselho que posso dar a alguém que neste momento tem vontade de criar algo seu mas que, devido a uma série de crenças limitantes, está a adiar ou tem medo de arriscar, é pôr na balança aquilo que vai perder se não agir no sentido do que quer e aquilo que vai ganhar por ficar exactamente no sítio em que está. Acredito que depois o caminho certo se torne mais claro.

Se queres algo, se tens um sonho, se queres criar um novo projecto, se queres ser chefe de ti própria, prepara-te. É um desafio. Exige esforço e dedicação. Exige que acredites em ti e no teu valor. Ser empreendedora, ao contrário do que se diz por aí em discursos motivacionais, não é para todas as pessoas. E está tudo bem. Empreender é difícil e pode ser uma montanha russa. Mas se é o que realmente queres, corre atrás. Dá passos pequenos, mas dá. O resto alinha-se aos poucos, com o tempo.

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